1 ano de substack 🎂
O que esta Crónica me trouxe & objectivos literários para '25.
Esta semana faz um ano desde que enviei a primeira Crónica Lunática. Comprometi-me a escrever uma vez por semana e consegui. Apesar das férias, de semanas mais agitadas, de sentir que não tinha nada de jeito para dizer, da ocasional falta de inspiração, consegui sempre ter um texto pronto e agendado para ser enviado à segunda-feira, por volta do meio-dia.
Este projecto traz-me uma sensação de orgulho muito grande porque implicou trazer-me hábitos saudáveis e ajudou-me a lidar com algumas das amarguras da vida. Em jeito de rescaldo, saber que tinha de escrever um texto por semana fez-me:
canalizar a minha criatividade para a escrita em vez de para fantasias tóxicas que me faziam viver os dias dissociada;
ter um olhar curioso sobre mim própria e também para o mundo à minha volta, procurando algo sobre que escrever;
estar atenta e guardar ilustrações, quadros e desenhos que achei bonitos e que poderiam servir para ilustrar os textos;
olhar para as manhãs de trabalho de sábado com mais carinho, já que era a altura em que aproveitava para escrever (este ano, felizmente para a minha sanidade mental, já não vou mais trabalhar ao sábado de manhã <3);
conhecer e ler tantos outros substacks maravilhosos.
Confesso, no entanto, que tinha como expectativa (ah! ei-la mais uma vez) escrever coisas mais bem-humoradas, porque queria exercitar a escrita humorística e aquele estilo de crónica que nos faz rir porque o autor levanta pontos interessantes sobre temáticas corriqueiras. No entanto, dava por mim a voltar aos textos auto-biográficos sobre corações partidos e volte-faces amargos que a vida me trouxe. Temi que ninguém quisesse ler mais-um-texto-tristão sobre algo que me aconteceu, contado de forma semi-misteriosa para proteger q.b. a minha privacidade, mas escrevi-os na mesma. A dada altura, tive de admitir para mim própria que em mim só tinha textos-tristões para escrever e assim o fiz. Com umas ocasionais Crónicas para limpar o palato nos entretantos, claro.
De alguma maneira, tive de parar de forçar escrever sobre algo diferente só para tentar mostrar que ultrapassei, ou que estou bem, e voltar às bases, perceber como a escrita tem em mim o poder de me ajudar a processar o que sinto. A trazer para fora de mim o que me corrói cá dentro, libertando-me dessa dor, pois extrapolei-a de algum modo. Deixou de ser um sentimento que vive dentro de mim, agora é um texto, partilhei-o com alguém, nem que seja comigo mesma. No fundo, e em jeito egoísta, acho que se pode concluir que o escritor escreve para si, não é verdade?
Isto leva-me ao último ponto desta reflexão de um ano de Crónica Lunática, os números. Quando abri conta no substack vinha ciente de que a blogosfera está, bem… morta? O meu blog da blogspot, no qual escrevia muito raramente, quando o tal sufoco me obrigava a ter de extrapolar as minhas emoções para um texto público, praticamente não tinha visitas. E esses textos ocasionais praticamente não tinham visualizações. Portanto, não entrei no substack à procura de números, eu vim para escrever. Ainda hoje não tenho o hábito de consultar os números à procura de análises estatísticas e de estratégias de crescimento. Porém, como é óbvio, gostei de ir vendo o meu número de subscritores a crescer e de saber que tenho um rol íntimo de leitores fiéis. A todos vocês desse lado, muito obrigada por me terem acompanhado e desejo poder continuar-vos a fazer companhia mais um ano. <3
objectivos literários para 2025
Há dias abri o Goodreads porque ainda não tinha escrito a review do Mansfield Park, o último livro que li em 2024, e não tinha registado que estou a ler o The Good Daughter, livro que a minha bestie me ofereceu no Natal e que até agora estou a ADORAR. Por ser um ano novo, o Goodreads pede para especificarmos o nosso objectivo de livros lidos para este ano. O ano passado coloquei 20 e consegui ultrapassar. Este ano, por isso mesmo, quis ser um pouco mais ambiciosa e coloquei a meta nos 22. Podia ter colocado 24 que virtualmente significa ler 2 livros por mês e isso devia ser algo atingível? Podia. Mas não quero essa pressão. 22 parece-me um bom compromisso.
Mais do que números, estou interessada num conceito que tenho visto aqui e ali: uma wishlist de livros específicos que queremos ler no ano. E apeteceu-me pensar um pouco sobre isso, parece-me uma forma óptima de orientar a nossa leitura e não ficar tão à nora quando não temos um livro para ler no imediato e estamos sem saber em que título pegar a seguir. Ironicamente, não sei se tenho muitos livros específicos para ler, mas tenho autores que quero ler. Até agora, a minha wishlist de leitura está assim:
começar O Senhor dos Anéis, já estão carecas de me ouvir dizer isto;
Véspera, de Carla Madeira
É o que me falta na coleção desta autora brasileira que suscita opiniões tão polarizadas sobre a sua obra. Penso que é daquelas escritoras que ou se ama ou odeia, estilo Ottessa Moshfegh. Acontece que eu estou do lado das que ama (às duas, curiosamente).
Ler algo daquelas autoras que as lit girls adoram: Susan Sontag, Joan Didion, Anaïs Nin…
começar o calhamaço dos Diários da Virginia Woolf, que comprei na Hora H da Feira do Livro do ano passado e me ficaram a 15€! A sério. É mesmo um calhamaço em edição de capa rija. Ficou uma pechincha.
explorar alguns clássicos da literatura erótica, principalmente escritos por mulheres. Assim de cabeça, tenho curiosidade em ler algum livro da saga Emmanuelle (sim, os famosos filmes afinal são baseados em livros), e também o História d’O, que está debaixo de olho há que séculos.
Sensibilidade e Bom Senso, da Jane Austen
Quero reler porque o fui buscar à biblioteca quando andava no Secundário e, além de não me recordar de grandes pormenores da história, também quero aproveitar para comprá-lo e o ter na minha coleção de Jane Austen.
Voltar a ler um Saramago, aproveitando para trazer um título novo à minha coleção deste que é dos meus escritores preferidos, de preferência com aquela edição clássica da Caminho.
Procurar e requisitar na biblioteca municipal alguns dos livros da moda que ainda não tive ocasião de ler, como o Yellowface (R. F. Kuang) ou o Bunny (Mona Awad), se estiverem disponíveis. Já tive algumas desilusões com livros “da moda”, então quando assim é prefiro procurar primeiro na biblioteca em vez de assumir a compra.
Quero ler o Maina Mendes, da genial e incrível Maria Velho da Costa.
Por enquanto é isto. Já tenho aqui muito material com que me entreter e depois logo verei que outros livros se cruzarão no meu caminho. Estou para ver o que é que leio até à Feira do Livro, já que é aí que aproveito para comprar os livros. É mesmo muito raro eu comprar livros (novos) ao longo do ano. Este ano, se tiver de o fazer, vou tentar comprar na Livraria Escriba, a última livraria independente que conheço de Almada, em vez de ceder à tentação de comprar em grandes retalhistas.
Para irem acompanhando as minhas leituras e reviews, sigam-me no Goodreads.
Até para a semana!




feliz de ter dado reply dizendo "FAAAAAAAAAZ" ou similares todas as vezes em que vi um tweet seu passar se perguntando "......e se eu fizer um substack........"
ansiosa por mais 1 ano de crônicas lunáticas <3
Parabéns pelo teu primeiro ano de Substack!
Já li Yellowface e Bunny e recomendo os dois, embora as vibes não fossem mais diferentes.