2025 ins & outs
Uma última reflexão de "ano novo" para encerrar Janeiro.

Ainda está a valer uma última reflexãozinha de Ano Novo? Chegámos à última semana de Janeiro. Uff… finalmente!… será? O ano passado lembro-me de ler algures alguém a desabafar sobre isto, mas de outra perspectiva. A pessoa argumentava que, sim, tal como toda a gente, também sente que Janeiro tem 40 e tal dias. Só que, para ela, isso agora traz um certo conforto. Ela escrevia que se permitia, então, a aproveitar o tempo e a calmaria, contrariando depois a sensação que temos no resto do ano: de que os meses se passam a correr.
Foi mais ou menos isso que permiti que acontecesse comigo. Sim, a dada altura comecei a sentir a parede de Janeiro, tal maratonista a meio da prova, em que os dias passavam mas uma pessoa não saía do mesmo meio do mês… Só que não deixei que isso fosse uma carga negativa na minha vida. Em vez disso, fui aproveitando o tempo lento: acabei um livro que tinha começado depois do Natal, comecei e acabei outro, e já estou num terceiro. Revi a temporada 1 de Severance e já estou a acompanhar semanalmente os novos episódios. Estou prestes a começar a temporada 2 de Arcane. Comecei a rotina de controlar melhor o meu orçamento e já cheguei praticamente ao final do meu curso das Finanças Pessoais. (Aviso já… foi um mês desastroso, com umas grandes despesas impulsivas que não estavam no plano. Mas foi o meu primeiro mês a tentar orçamentar, portanto é normal que não tenha sido brilhante. Esta jornada pelas finanças pessoais é, para mim, a oportunidade de estar a aprender algo novo, portanto já ia mentalizada de que iria ser um processo com erros e falhas de principiante.)
No trabalho, aproveitei os dias sem nada que fazer para terminar os módulos da formação e marcar o exame final. Fui com os meus amigos ver o standup do Ricardo Maria ao Tivoli. Comprei os ténis para o gym, logo no princípio do mês. Descobri uma aula nova de que gostei e tenho ido duas vezes por semana ao ginásio. Destralhei a gaveta das cuecas e as bijuterias. O meu amigo David veio jantar comigo num sábado destes. Fui ver a exposição “Filhos do Meio - Hip Hop à Margem”, sobre a origem do hip hop tuga, no Museu da Cidade de Almada, e aproveitei para visitar a exposição permanente sobre a cidade, que adorei. Comecei as sessões do laser. Instalei uma aplicação para me ajudar a limpar o rolo da câmara do telemóvel e já eliminei mais de 500 fotos (e ainda falta muito).
Portanto… chego à última semana, desejosa do dia de receber o ordenado, mas a pensar que tenho os próximos dias para estudar a matéria da formação e ir a exame. Foi um mês cheio, até literalmente ao último dia.
Posto isto, aproveitando que ainda estamos aqui meio dentro meio fora de 2025, tenho pensado nesta tendência de se fazer “ins & outs” e decidi que queria fazer para este ano novo. É mais complicado do que parece, porque quis resistir ao impulso de colocar num lado da lista o oposto do que está no outro - isso não tinha graça nenhuma. Assim, nos ins estão coisas novas para mim ou que fui perdendo no caminho e quero recuperar. Nos outs, estão coisas que estão na minha vida mas que quero deixar cair.
in
usar a tecnologia útil do smartphone
já que vou ter um novinho em folha, quero desfrutar deste aspecto tecnológico que negligenciei até aqui: a carteira digital para guardar cartões e bilhetes.
meias divertidas
penso que tá na hora de deixar para trás o longo reinado de peúgas pretas, também mereço meias divertidas. Sei que chego tarde à tendência, mas olhem… cá estou.
fazer bolos
voltar a levar a minha coluna JBL para ouvir música enquanto tomo banho
calções e camisas de linho (mistura de linho, vá…) para o Verão
nos últimos Verões arranjei uns calções de mistura de linho da Stradivarius e este ano também comprei uma camisa. Adoro! São peças effortless chic, favorecedoras, frescas e confortáveis. (Comprei mistura de linho - tecido de verão de excelência-, com viscose - uma fibra natural respirável e fresca (não é poliéster), e tudo na Stradivarius.)
mais mergulhos no mar
ir e vir a pé do trabalho sempre que for meteorologicamente possível
experiências de spa
ler substacks, comentar substacks, descobrir substacks
workshops
ir a mais espectáculos: standup, concertos, exposições…
out
merdas que já não quero, não me servem, não me lembro que existiam, não fazem mais sentido na minha vida, que sempre quis deitar fora mas faltava-me sempre a coragem. Seja roupas, papéis, bijuterias, fotos do telemóvel, caixa do e-mail, contactos, tralhas das gavetas e caixas
fingir-me de tonta e evitar encarar de frente os meus gastos
obrigar-me a coisas porque “tem de ser” - disse quem?
ter medo de viajar, seja por ansiedade financeira, seja por achar que não é o meu lugar (que “não mereço” ou que “não é para mim” ou que “não sei como se faz”)
playlists antigas do spotify que já não fazem sentido
clicar no “ver” quando o twitter me indica que “este post pertence a uma conta você silenciou”
sobre-analisar séries para tentar descobrir o que se passa e permitir-me antes desfrutar da história a ser-me contada
scrollar nas redes sociais no telemóvel
dar atenção ao chavascal twitteiro quando há polémicas, principalmente ligadas a acontecimentos políticos
esperar até estar à beira dos meus limites em vez de agir mais cedo
Não me quero alongar, até porque posso falar disto noutra Crónica, mas percebi que realmente andei este tempo todo a passar pior do que pensava, em termos de saúde e espaço mental. 2025 surgiu, para mim, como uma folha em branco. Penso que ajuda o facto de ser um mês acabado em 5, logo, um “meio”, um número redondo, o que nos remete para uma viragem, uma mudança de ares. Curiosamente, a última vez que isto aconteceu foi em 2020 - um ano “0”, início de uma nova década, e eu às vésperas de fazer 25 anos, também um “meio”. Depois, todos sabemos o que aconteceu nesse ano e o trauma colectivo onde nos levou.
Chegada a 2025, às vésperas dos meus 30 anos, quero abrir novos capítulos. Mesmo que tenha batalhas pela frente, que hei-de ter, precisei mesmo de fazer esta espécie de reset. Conjugou-se tudo de forma positiva, felizmente para mim, e ter começado a fazer terapia ajudou-me. No final de 2024, a chegar a um pico de exaustão que eu estava com dificuldade em reconhecer, permiti-me parar e dar-me um abraço, um conforto. E a tentar ter uma nova forma de encarar a vida. Agora, como me disse a minha psicóloga numa consulta destas, eu quero ver Mundo.



reconheço muito do meu 2024 no teu; da mesma forma, muitas das coisas que queremos/precisamos para 2025 são semelhantes. e também não posso deixar de reforçar esta coincidência entre tempo histórico e pessoal -- em 2020 estávamos ambas a iniciar uma década no meio dos nossos 20s; agora chegamos ambas aos 30 no meio da década. também senti que em 2020 houve um recomeço, e depois (para mim) um buraco negro. mas lá está, acredito que os nossos relógios estão bem cronometrados, e que este ano vai ser bom, ou pelo menos o início do bom. faz sentido que assim seja ❤️
Gostei muito do texto e das conclusões a que chegaste. Cá estarei a acompanhar a tua jornada in&out hehehe é um orgulho acompanhar a tua jornada de crescimento. Love you