A coragem de agir
Sobre uma grande decisão que tomei.
As pessoas que me vão acompanhando em canais mais privados e num círculo mais próximo já sabem que, se tudo correr bem, este ano vou dar um salto de fé para tentar dar uma volta à minha vida, num projecto de médio-prazo que vai requerer esforço e muita dedicação. Peço desculpa pelo mistério, mas ainda não estou pronta para revelar o que é, até porque ainda não sei se vai acontecer. Preciso de guardar isto só para mim, por enquanto. Ainda assim, quero falar-vos um bocadinho sobre o que esta decisão tem sido para mim, em termos emocionais.
A ideia já vem de muito longe e, no ano passado, cheguei mesmo a ponderar avançar. Mas, por burrice minha ou falta de investigação sobre os procedimentos, achei que tinha deixado passar os prazos e acabei por “perder” a oportunidade. Então respirei fundo e dei a mim mesma um ano - portanto, cá estamos - para pensar a sério no assunto e decidir o que fazer.
Não precisei do ano todo para me decidir, na verdade. O que me fazia hesitar na decisão era a ideia de querer comprar uma casa e precisar de poupar todos os cêntimos possíveis até lá. Já tinha tido a desilusão amarga de perceber que, além do famoso “dinheiro para a entrada”, um comprador precisa ainda de dinheiro para os Impostos inerentes à compra do imóvel e restantes despesas burocráticas (abertura de processo bancário, marcação de escritura, reconhecimento de assinaturas, etc.). A acrescentar a isto, com a constante subida das taxas de juro, percebi que, face aos valores praticados no mercado, nem que eu ganhasse uma base de 1200€ de ordenado eu iria ter viabilidade financeira para conseguir um empréstimo bancário.
Coringuei.
Nem se eu ganhar mais de mil paus - o que, em Portugal, já é considerado “ganhar bem” - consigo comprar uma casa?!?!?!? Are you fucking kidding me????? Pardon my Americano.
Sentei-me comigo mesma e disse: Rafaela, óbvio que, enquanto adulta funcional, tu queres ter a tua casa. Mas essa urgência toda, meio tonta e desalinhada com a realidade, é porquê? E eu percebi porquê. E a razão, além de não ser boa, deixou de fazer sentido muito pouco tempo depois.
Estávamos em meados de Setembro-Outubro quando percebi que queria arriscar no Projecto, mesmo consciente de que isso me iria adiar a questão da casa. Mesmo consciente de que vou estar grande parte dos meus 30s a viver com os pais. Não faz mal, estou ciente dos meus termos e condições.
A verdade é que 2023 foi um grande NADA na minha vida, em termos de fazer algo por mim. Verdadeiramente por mim. Sem ser porque quero que coisa X resulte, ou porque estou enamorada por Y, ou porque quero fugir de Z. Andei a flutuar pelos dias para chegar ao final e sentir que não fiz nada, e estou cansada disso.
Estou cansada de sentir que todos os dias vivo para que chegue a sexta-feira. E para que chegue o final do mês para receber o ordenado, dar-me a mim mesma a mesada e poupar o resto. Estou farta da passividade de que tudo o que me resta fazer é poupar, poupar, poupar - atenção, não quero parecer ingrata nem alheia à sorte que tenho de poder juntar dinheiro, mas de que me serve juntar esse dinheiro todo se, ainda assim, não posso fazer nada com ele?
Estou frustrada comigo própria, porque me sei uma pessoa inteligente, com capacidade para fazer algo mais, e me comecei a sentir encostada num trabalho que, embora não envergonhe ninguém, também não me traz brio nem satisfação pessoal. Embaraça-me conhecer pessoas novas e tudo o que tenho a dizer sobre mim é “tirei um curso, não gostei da área, passei um mau bocado e agora estou neste trabalho administrativo sem outra perspectiva. Ah, é verdade, também gosto de fazer crochet.”
Será que esta nova jornada vai ser o caminho certo? Não sei. Vou fazê-la até ao fim? Não sei, estou a encarar as coisas ano a ano (tem-me corrido bem esta metodologia). No futuro, vai-me permitir viver melhor? Não sei. Vou mudar de ideias a meio e arriscar noutra coisa qualquer? Não sei. Vai ser um grande erro que me custará - literalmente - caro? Não sei. Vai ser outro projecto que vou abandonar? Não sei. Vou ser bem-sucedida? Não sei. Vou-me destacar e surpreender-me com o bem que corre? Não sei. Vai-me dar a oportunidade de escrever um livro? Não sei.
Só sei que quero arriscar. Quero experimentar. Não quero estar mais no “e se… e se…?”. Quero fazer, estou pronta. Ainda que com medo, ainda que gostasse de ter tido mais apoio à minha ideia, em casa. Ainda que muitas pessoas me possam achar louca, que isto vai ser uma perda de tempo e de dinheiro, que é uma decisão que não adiantará em nada. Sabem o que é que também não me traz nada? Continuar na mesma.
Por isso, vou fazer diferente. Vou arriscar.
Desejem-me sorte porque vou precisar.
Até para a semana,
Rafaela





I believe in you!! Boa sorte, bestie! Acredito e espero que corra tudo bem! Mereces e mereces que a tua vida ande para a frente. Vamu lá, Raul!!!
Desejo-te a melhor sorte do muito, Rafa. Este é o ano das mudanças. Também sinto isso a fervilhar dentro de mim.