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Gostinho bittersweet de ter aparecido na minha newsletter preferida, mas ter de ser logo assim, com notícias ruins e esse sentimento compartilhado de quem já viu (e ainda vê, vou ser sincera) o próprio país se afundando num lamaçal das piores opiniões possíveis.

Quando o Bolsonaro foi eleito, bebi uma garrafa inteira de vinho do Porto (!!!) e passei muito mal, tanto do álcool quanto de desgosto. Fui dormir aos soluços e ainda ouvindo muitos gritos desaforados das janelas vizinhas, que o brasileiro além de tudo é exaltado. Acordei no sofá da casa do meu irmão no dia seguinte e me sentia meio etérea, como se fosse tudo ainda irreal, um pesadelo (e era). Meu sobrinho, que tinha 5 anos na época, alheio àquilo tudo, ficou extasiado quando viu que eu ainda estava na casa dele, me chamou pra ver seus brinquedos e pediu ajuda para fazer a lição de casa. Foi o meu primeiro chamado para: "que merda, mas seguimos de alguma forma".

Não tenho lá muitas palavras de consolo porque não sei se há e também não sei se as realidades dos dois países são absolutamente transponíveis (acho que não, apesar das infinitas semelhanças, meia noite te conto um segredo).

Mais tarde, naquele mesmo dia, fui à faculdade, visivelmente arrasada. Lembro que uma professora olhou pra mim e me disse: "eu sei. Mas vai passar" - essa pequenina troca foi, talvez, o meu brinco de cravos. Uma esperança mais simbólica do que palpável, mas efetiva na mesma, pra dizer de novo: sim, é uma merda, mas não tudo. Ainda estamos aqui e pronto, vamos aos poucos vendo o que dá - e se ajuda, ela hoje trabalha no governo do Lula :)

Não tenho muito o que dizer além de: eu sei, Rafa, mas vai passar. Vou deixar então o Chico falar por mim:

"Já murcharam tua festa, pá

Mas certamente

Esqueceram uma semente

N'algum canto de jardim"

Beijinho <3

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