Ano da Mudança
Resoluções toscas de Ano Novo.
O ano passado, este texto pareceu-me mais fácil de escrever. As Férias deram-me uma grande sensação de descanso e reset, à beira daquele que eu esperei que estivesse para ser um ano calmo, de página em branco para o que a vida me trouxesse - no fundo, o tal Ano Zero. Assim foi. Olhando para trás, reconheço que essa sensação de calma e tranquilidade estava presente porque não tinha, efectivamente, qualquer expectativa para 2025.
Este ano vai ser diferente.
Em 2026, o meu grande objectivo, desejo, aspiração, you name it, é conseguir mudar de trabalho. Não vale a pena fingir que não é isto que quero, porque é. Vai daí, baptizei este próximo ano como o da Mudança. Cansada que estou de me sentir em baixo, embora mantendo-me na passividade da zona de conforto, agora chegou o tempo de agir. (Tendo em conta que no Réveillon passado ia entrar num ano “sem expectativas”, estar agora noutro com tamanho objectivo acrescenta-lhe alguma pressão, e talvez por isso nestas férias me tenha sentido tão uneasy.) Em relação aos trabalhos, tenho algumas ideias e caminhos que gostava de explorar, agora que as Festas acabaram e tenho espaço para me orientar na rotina. E por enquanto é tudo o que tenho a dizer sobre isto, que não me quero agoirar…
Por falar em superstições, está a ser bizarra a forma como todas as “previsões” estão alinhadas com a minha disposição para a mudança. Saturno vai de vez para Carneiro, livrando finalmente a malta de 1993-1996 do tormento que tem sido a vida debaixo do nosso Retorno, que começou em Março de 2023. Passando para Carneiro, os nativos de ascendente Caranguejo (eer… eu!) vão ter um abanão na zona da carreira, objectivos, identidade pública. É um trânsito que, no geral chama para a acção, para construirmos a nossa identidade própria, alinhada connosco, ou não fosse Carneiro o Primeiro Signo do Zodíaco, de fogo, e lutador.
A malta da numerologia aponta 2026 como o “ano um” o que, admito, me deixou vaidosa e validou a minha sensação de 2025 ter sido o ano zero. 2+0+2+6=10=1+0=1. Inícios, individualidade, novos ciclos, começos, e outros sinónimos todos deste género. É, talvez, a arte mística a que menos importância dou, visto que o calendário gregoriano é apenas uma invenção e uma construção social. Ai estamos em 2026? Porquê? Quem é que decidiu quando é que se começava a contar? Mas, enfim, não serão todas as superstições meras construções humanas? Sigamos em frente.
Da China, chega a notícia de que o próximo ano é o do Cavalo. Comemorado na segunda lua nova após o solstício de Inverno, o Ano Novo Chinês vai calhar a 17 de Fevereiro de 2026. O ano do Cavalo diz que é um ano de acção, de desbravar caminho e ter novos começos. De meter as mãos na massa para fazer acontecer. Meu deus!!! Ok!!!
Então estamos assim, com um misto de medo porque já anteriormente quis mudar e depois fiquei na mesma, e uma antecipação boa, algum entusiasmo de que, por amor de tudo o que é mais sagrado, as coisas desta vez corram bem. Veremos!
O ano passado, já o disse, estava noutro mindset. A esta altura andava entusiasmada com o curso das Finanças Pessoais, a organizar o Excel das contas e entretida a definir objectivos. Partilhei por aqui na altura e, devo dizer, cumpri quase tudo! No entanto, admito que estava numa ultra organização de objectivos super bem definidos e muito relevantes e tal e coiso. Desta vez, apeteceu-me ir para os básicos, aquelas resoluções cliché estilo “deixar de fumar”, portanto partilho convosco as minhas Resoluções Toscas Para 2026:
Dormir mais cedo. Eu vou para a cama cedo, mas é para dormir? Não é. Tenho perfeita noção de que vou dormir demasiado tarde face às minhas necessidades de descanso, o que me leva a ter dificuldade em acordar, levantar-me já em cima da hora, e a ter uma manhã de desgaste completamente evitável. Ainda por cima, sei que procrastino a hora de dormir porque fico demasiado tempo a ver séries, o que me leva ao ponto seguinte…
Nos dias em que vou ao ginásio, não ver séries e optar por ficar só a ler. Eu fazia isto quando estava no Yoga e despachava-me mais tarde. No ginásio, como chego mais cedo a casa, acabo por ceder e ir ver uns episódios de qualquer coisa, o que me atrasa o tempo para a leitura e a hora de dormir. Quero mesmo parar com isto, não só para me dar mais tempo de descanso, mas também para evitar mais uma hora e tal de ecrãs.
No ginásio, ir andar na passadeira enquanto espero pela hora da aula, em vez de ficar a engonhar no balneário, a scrollar. Até agora, o meu padrão era chegar, levar teeeeeempo para me equipar, e ficar sentada no balneário a fazer tempo para a aula. Opa, por amor de deus. Já tinha começado isto 1x por semana, mas vou fazer sempre: optar por ir até à sala andar na passadeira, enquanto ouço um Extremamente Desagradável ou assim, em vez de ficar no brainrot do scroll infinito.
Menos telemóvel em casa. Ok, de facto “menos ecrãs” está a ser um tema geral… Já passo tempo suficiente a scrollar no twitter durante o dia, não há mesmo necessidade de o fazer em casa, à noite. Eu já tenho o bloqueio das apps a partir das 22h e no geral porto-me bem, embora por vezes ceda aos 15 minutos extra. Quero mesmo estar no mindset de me desligar das redes sociais à noite. Chega, a sério.
Andar mais a pé. Vai ser complicado porque eu tenho a semana super preenchida e nos primeiros tempos deste ano, vou ter os fins-de-semana ocupados, portanto não vou ter muito espaço onde encaixar caminhadas pela cidade ou no Parque da Paz. Mas, por exemplo, se eu me despachar mais cedo de manhã, consigo ir a pé para o trabalho tranquilamente.
Apontar semanalmente as minhas despesas no Excel das Finanças Pessoais. Eu comecei atinada e depois foi o descalabro, já só ia lá à pressa, ao fim do mês, para apontar tudo e “organizar” o mês seguinte. Que caos desnecessário. Quero voltar a fazer semanalmente, porque é mais simples apontar 2 ou 3 valores por semana do que estar a scrollar nas apps dos bancos um mês inteiro de gastos…
Designar um tempo para a minha escrita privada. Graças ao facto de usar o substack para o eventual desabafo pessoal, e também porque penso e repenso nos temas só na minha cabeça, dou por mim semanas a fio sem ter um tempo sossegada a escrever só para mim. Quero mudar isso com um bloco de tempo semanal para a escrita privada. E vai no embalo, quero permitir-me escrever de forma mais leviana, às vezes parece que levo o meu próprio diário demasiado a sério.
Arranjar o bloco/caderno que eu realmente quero para andar sempre comigo. Resolução cumprida, porque um amigo deu-me exactamente o género de caderno que eu procurava como prenda de Natal atrasada. Um daqueles cadernos fininhos e leves, para trazer na mala e poder apontar ideias à toa e descarregar o lodo mental que tenho sempre na cabeça.
Arranjar um caderno para desenhar. Eu desenho mal, mas adoro na mesma. Quero um caderno para desenhar só porque sim, para treinar, quem sabe!… Sempre adorei a ideia dos diários gráficos e sentia um desgosto enorme porque não tenho jeito, mas que se lixe, fica o meu caderno de desenhos toscos e está tudo bem!
Depois há toda uma outra série de coisinhas que eu quero fazer, só que não vale a pena trazer para aqui.
Estamos assim neste começo de 2026. Estou expectante, admito. Longe de uma euforia louca, sinto algo dentro de mim a impelir-me para a acção, e quero aproveitar. Desejo-vos a todos um bom ano, junto das pessoas que vocês amam, e que vos traga aquilo que vocês precisam neste momento.
Feliz Ano Novo!
Feliz 2026!







Feliz 2026, Rafa!!! ✨✨ Por aqui, ainda só defini metas literárias; algo em mim diz-me para ter calma a vaguear o terreno dos objetivos. Eis a razão pela qual ainda não pensei, com muito detalhe, nos planos para 2026. No entanto, na terapia da semana passada, defini a palavra pela qual me quero guiar: Confiança. Em mim, nos meus projetos, nas minhas pessoas, no tempo, no Universo.
Sei que será um ano fantástico para todos nós!
Vai ser o teu ano, Rafaela <3 Não comento muito por aqui, mas sabes que te leio sempre!!!! Feliz 2026! ✨