Berghain da Wish
Uma experiência que ficou aquém.
A primeira vez que ouvi falar da mítica discoteca Berghain foi no episódio do Ar Livre com a Bruna Magalhães e a Mia Fernandes. O Salvador Martinha pedia dicas às nossas party girls para conseguir entrar, uma vez que o club (como agora os jovens dizem) é muito exclusivo e tem um porteiro implacável na selecção de quem lá entra. Não me surpreende, quem já viu aqueles vídeos das manhãs de domingo de Berlim, com os ravers a saírem da noite e já a passarem na rua debaixo da luz do sol, percebe que há por lá uma grande cultura de lazer nocturno.
Por outro lado, há largos anos conheci a instituição Brunch Eletronik, que prometia uma matiné de tecno ao ar livre, em Lisboa, com até alguns nomes sonantes da música electrónica (Nina Kraviz, estou a falar de ti). Há pouco tempo, voltei a ver um cartaz deles na rua, portanto, ao contrário do que eu pensava, não deixaram de existir. Informei a minha bff Margarida do sucedido, já que também ela conhecia o Brunch Eletronik mas nunca tinha chegado a ir. Vamos?!?!
Imbuídas da adrenalina de tentar mais uma coisa nova, de modo a espantarmos os demónios tristes que nos assombram, achámos que era altura de inaugurarmos nós a nossa era party girls, quais Bruna e Mia da Temu, e vá de ir pesquisar o que anda aí do Brunch Eletronik. Foi assim que soubemos que iria haver uma Festa de Halloween e, com um mês de antecedência (!!!), comprámos o bilhete das avós - mais barato, já que a entrada estava limitada até às 23h. Siga!
Lá fomos, de mente aberta e sem grandes expectativas, rumo ao Pavilhão Carlos Lopes, no Parque Eduardo VII. Por fora, já começava a prometer: os holofotes vermelhos a iluminar a fachada trabalhada davam o mood, numa noite já de si chuvosa e Halloweenesca. Agora, por dentro…
O problema dos bilhetes das avós é que servem, precisamente, para atrair malta com um preço mais em conta para estarem na festa à hora em que ninguém está na festa. Claro, estavam por lá pessoas, mas quando entramos efectivamente no pavilhão, percebemos que estávamos prestes a abrir a pista. Tudo bem, nem gostamos de muita confusão, vamos lá começar esta festa.
Mas… alguma coisa estava off. Bem sei que fui sem expectativas, só que sendo uma festa temática - de Halloween, ainda por cima - esperava mais pompa e circunstância. Nem uma decor um bocadinho mais trabalhada? Nem o staff vestido a rigor? Estávamos mesmo só num pavilhão escuro, com bancas das bebidas à volta, dois ecrãs LED ao lado do palco para passar imagética psicadélica, e luzes dos holofotes. Achei tudo tão… despido?
À medida que os minutos iam passando, a festa compôs-se. Lá iam aparecendo as gentes da noite, vindas de um jantar tardio e de uns copos pré-festa, que isto já se sabe, só a partir da meia-noite é que começa a bater. Foi muito interessante ver a fauna, todas as pessoas que fazem daquilo actividade regular, ao contrário de mim. Iam muito mais bem preparados, eram pessoas que sabem andar naquilo. Ele era óculos de sol, o chupa-chupa na boca, o mascar da chiclete, a roupa reduzida, o leque - tá bem, táaaa!!! Tudo prontinho para estarem ali noite dentro a curtir alto tecno - eeer… mais ou menos. Achei que a música podia ter sido mais interessante. Louvo aos céus que não estávamos perante aquela electrónica de martelo pneumático, mas era escusado sempre o mesmo ritmo constante, dando uma vibe de música lounge que não ofende só que também não apaixona.
Nisto já ia batendo a uma e meia da manhã, e esta avó trazia em cima de si uma semana inteira de trabalho, não se esqueçam. Os tornozelos latejavam e os bocejos eram constantes. Admiro profundamente todas as pessoas que estavam agora a chegar à festa, talvez o DJ mais interessante só fosse pegar ao serviço lá para as quatro, mas eu já não aguentava mais. Igualmente, fico-me a perguntar o que é que toda a gente ali faz da vida? Estavam de folga? Trabalham por turnos? Não trabalham de todo? São miúdos? Talvez sejam apenas party people a sério, ao contrário desta poser que vos escreve. Saímos da festa rumo ao McDrive da nossa banda, para um consolo altamente calórico pré-sono, com mais uma experiência nova no currículo da vida, embora pouco satisfatória. Veremos uma próxima.
Em jeito de wrap up:
adorei mascarar-me e maquilhar-me, portanto não me importo de repetir um festejo de Halloween, embora noutros moldes. Acho que prefiro, por exemplo, ir jantar fora com os meus amigos, procurar um bar com música ao vivo, ou então ficar-me pelo sítio do costume cá da terra, onde posso beber um vinho quente de outono;
a música não estava absurdamente alta (também ficámos cá mais para trás), e não saímos de lá meio surdos, portanto isso é um ponto positivo;
por amor de deus, precisamos mesmo de ter uma conversa sobre os “copos sustentáveis” que nos encarecem a primeira dose de bebida em 1.5€ (!!!) não-reembolsável (!!!!)
a sério que se podia FUMAR ali dentro?!?!?
ainda quero experimentar a edição clássica do Brunch Eletronik, durante a tarde, para ver se o ambiente é outro e me divirto mais
E é isto. Admitam lá, leram o título e pensavam que ia ser sobre outra coisa, não era? Vá, boa semana!




Senti-me atacada pelo último parágrafo :') Nem sabia que havia um spot chamado Berghain em Lisboa, sinceramente, mas depois disto também não vou querer lá ir espreitar.
Hahahahaha eu pensei!!! Sim, a festa ficou muito a desejar lmao vá lá que fomos sem expectativas, então foi só tipo "hum, ok, não gostei". Mas eu gostei do horário de avó, porque à medida que aquilo ficava cada vez mais cheio ficava pior 😵 mais pessoas a fumar, mais pessoas, mais filas...acho que onde se peca é mesmo nos artistas. Talvez os melhores fossem mais tarde, como disseste.