Chatices de Junho
Mês complicado.

Junho, em teoria, é dos meus meses preferidos do ano. Na prática, é quando passo pelos meus trânsitos de casa 12, com o corredio dos planetas que estão a passar em Gémeos. Invariavelmente, é um mês onde acabo por me sentir sozinha, isolada, e a passar umas tormentas, tudo temáticas de casa 12, para quem percebe a linguagem dos astros.
Este não foi excepção. Misturou-se aqui uma data de chatices familiares que me deixam sempre desamparada e a sentir-me muito impotente. Chatices que me perturbam o espírito e acabam por me moer a ponto de as trazer comigo para todo o lado. Portanto, no trabalho, além de estar overworked (e underpaid), acabo por deixar fugir do meu controlo certos pormenores, o que resulta em erros ou mal-entendidos, e levam a raspanetes porque, ironicamente, só um lado da hierarquia é que pode descarregar nos outros quando tem problemas em casa.
Algures nesta semana perguntei-me a mim mesma se já não estará na hora de começar a ver outras opções, se já cheguei ao meu limite. Ou se simplesmente quero poder reclamar do trabalho sem sentir que isso implica, necessariamente, estar à procura de outro, porque não sei o que procurar nem onde, nem as oportunidades caem do céu; e depois tenho de dar meses à casa e as vagas são todas para entrada imediata, e vai-se a ver é uma chatice para conseguir ir à entrevista, mais a conversa difícil de se ter no sítio onde se está. Estou tão cansada, só queria poder ir para casa relaxar; chego a casa e tenho lá o problema porque o problema é sempre acolhido ali de braços abertos, foda-se.
Há duas ou três consultas seguidas que choro na terapia com este assunto, que eu não esperava consumir-me tanto a esta altura do campeonato, mas consome. Fico sem cabeça para nada e vou-me agarrando ao que posso. Fui à Feira do Livro. Uma série engraçada que descobri. Uma tarde de copos com os amigos. As aulas do ginásio. Sim, cheguei a um ponto em que conto as horas para ir às aulas do ginásio para descontrair. Sinto-me esmigalhada, mas ao menos as minhas imponentes coxas portuguesas estão mais torneadas, são as pequenas vitórias da vida de uma pessoa.
Vi uma coisa no Instagram e a única pessoa a quem eu queria mandar aquilo partiu-me o coração, portanto tive de me contentar com partilhar nos amigos chegados, sem que ninguém soubesse corresponder, não é culpa de ninguém, é porque se tratava de uma piada privada que agora só tem audiência de um.
Entre o mundo a ficar shit bananas, os problemas pessoais, e as chatices profissionais, continuo a ter de me levantar e enfrentar o dia. Lembro-me a mim mesma de que as emoções são passageiras, as fases más são só fases e hão-de passar, tal como as boas também não duram para sempre, tudo é um ciclo e vou chegar ao outro lado. The only way out is through. Tento pensar que esta terça, pelo menos, é feriado.


Um abraçinho grande e apertado 💕
Força, Rafaela! Não tarda nada estás do outro lado 🧶💗