Feliz Natal!
Uma Crónica natalícia.

Há uns anos, quando estava mais investida no estudo das Artes Místicas e do folclore pagão, conseguia falar-vos de cor sobre a origem do Natal - o Yule, a celebração do solstício de Inverno. O Yule tinha como objectivo marcar a passagem pelo Inverno, com uma série de rituais para agradar aos deuses e para que estes trouxessem de volta a Primavera, o Sol e as terras férteis. Muitas das coisas que associamos ao Natal, como enfeitar a Árvore de Natal, a grinalda que se coloca na porta, etc., etc., têm origem nestes rituais pagãos e nada têm a ver com a Igreja Católica.
Astrologicamente, acho muito curiosa a nossa vivência do Natal. Vou passar a explicar o porquê.
Nas semanas que antecedem o solstício, estamos na época de Sagitário. Signo de fogo, mutável, pois marca a passagem do Outono para o Inverno. Um último quentinho antes da entrada nos meses frios e saturninos de Capricórnio e Aquário, até que chega o degelo com Peixes, o último signo do Inverno e o fecho do ano zodiacal. Depois, a data que se instituiu para a consoada e o dia de Natal já é, definitivamente, em Capricórnio - dias 24 e 25 de Dezembro.
Porque é que acho que isto é curioso? Sagitário é um signo expansivo, extrovertido, fogoso, inconsequente, idealista, optimista, filosófico, dado a exageros vários. Se formos a ver bem, a vivência do Natal até à consoada, é muito sagitariana: a euforia das decorações e das luzes de Natal, o consumismo louco com as compras, as almoçaradas e as jantaradas, o exagero de comes e bebes, ficar bêbedo na festa de Natal do trabalho, conviver com quem nos é querido, deixar tudo para a última da hora…
Até que, passado o solstício de Inverno, entramos na época de Capricórnio: signo de terra, frio, calculista, sério, ligado à responsabilidade e à honra, ao cumprir da tradição, a certos sacrifícios porque tem de ser. E não é que, para tanta e tanta gente, a data efectiva do Natal significa precisamente ter de aturar uma tradição porque “tem de ser”? Junto de pessoas que às vezes nem gostamos assim tanto, muitas vezes é uma seca, é desgastante, é um sacrifício da sanidade mental e emocional, em nome de uma suposta tradição que alguém inventou que tinha de ser cumprida nestas normas e com estas regras.
Claro que isto é uma generalização, é mero simbolismo geral e não se aplica a cada caso particular, mas é algo em que tenho pensado desde que ganhei pensamento astrológico. Em como, na data do Natal, muitas vezes as pessoas não estão felizes nem aquele é um convívio fortuito. É uma coisa… capricorniana.
O meu Natal é pequeno. São as pessoas do círculo próximo lá de casa, já todos crescidos. Como costumo dizer, é um jantar normal só que com quatro sobremesas diferentes. Ah, e jogamos uns joguinhos. Abertas as prendas, a noite termina. No dia seguinte, depois do almoço, têm vindo uns amigos dos meus sobrinhos lá a casa e a tarde anima-se. Agora que já não há nada que desperte desacatos à mesa, não tenho muito com que me queixar. É um convívio com as pessoas de sempre, só que com mais comida. À sua maneira é especial, acho eu… Embora sinta que falta algo, não sei bem o quê.
Esta Crónica não é para vos entristecer nesta quadra que pode ser tão complicada de se viver. É, talvez, para vos trazer o conforto do realismo e do mediano do dia-a-dia. Nem todos os Natais são uma noite feliz de alegria e amor familiar, mas também nem todos são um completo desastre. Alguns são assim-assim, são ok e bonzinhos. Passam-se e para o ano há mais. Se não forem dos que têm um Natal mágico, desejo-vos então o descanso do Natal-normal.
Votos de um Feliz Natal e encontramo-nos nas vésperas do Ano Novo. ❤️🎄
Despeço-me com a minha música de Natal preferida, como não poderia deixar de ser, na versão de Frank Sinatra. Para um último aspecto curioso neste texto, é engraçado como é das únicas músicas de Natal que, na letra, nem menciona que se trata do Natal. Let it snow, let it snow, let it snow…


Sou capricórnio e senti-me ofendida! :D Temos má fama, é o que é! Boas festas, friendmas e Xmas! :)
como capricórnio, sinto que este texto faz muito sentido -- e subitamente, o natal faz também muito sentido também (it HAD to be a capri!). obrigada, como sempre, Rafa! boas festas <3