Nostalgia sáfica e outonal
The L Word e o conforto da televisão dos anos 2000.
Icónica e irreverente, a série The L Word foi um marco e um rito de passagem de praticamente todas as meninas e adolescentes sáficas que estavam vivas nos anos 2000. Lembro-me bem de apanhar episódios soltos na Fox Life e de ver cenas que ficaram bem gravadas na minha memória. Digamos que fui mais uma das que tinha um fascínio ~misterioso~ pela série e não sabia porquê. No entanto, sem serviços de streaming e dependente dos horários da TV por cabo, não acompanhei por aí além.
Assim, aproveitei que no Verão estava sem séries que ver para dar play, finalmente, no The L Word, um marco cultural importantíssimo para milhares de mulheres queer. E que fixe que foi!
Para quem não esteja a par, The L Word acompanha as vidas de um grupo de amigas lésbicas e bissexuais que vivem no bairro de West Hollywood, em Los Angeles. A série estreou em 2004 e durou seis temporadas, até terminar em 2009. Ao longo das temporadas, vamos acompanhando as histórias de amor, desgosto, desafios profissionais, luto, maternidade e amizade das personagens.
A série está, de um modo geral, bem escrita. É divertida e leve, senti que era como uma novela que estava a acompanhar. Apesar das últimas temporadas mais fracas (a sexta, então, é para esquecer), The L Word é boa televisão. Descobri que é mais uma boa série de conforto e acho que isto se deve à nostalgia que sentimos quando vemos televisão destes tempos.
Antes do domínio do streaming, das temporadas com poucos episódios vistos todos de seguida, as séries de televisão costumavam ser estruturadas de outra maneira. As narrativas acabavam por ser desenvolvidas de outro modo, havia mais episódios para explorar a personalidade das personagens e até a vida que se desenrolava parecia ser mais credível, de alguma maneira.
É impressionante o conforto que traz ver os telemóveis antigos que elas usavam, o modo como navegam na vida ao longo dos enredos, mas também algo como o próprio figurino da série. Contrastando com algumas séries de hoje em dia, por exemplo a Euphoria, em que as personagens aparecem altamente estilizadas e produzidas, em The L Word e outros programas dessa altura, as pessoas aparecem com um ar mais normal. Corriqueiro. Acessível. De repente, estamos a ver as roupas das protagonistas e parecem-nos roupas reais, do quotidiano. Os cabelos estão arranjados de forma natural. A própria maquilhagem aparenta ser o que qualquer mulher adulta, à data, usaria.
Fora da restrição dos 10 episódios por temporada, há mais tempo para os guionistas explorarem enredos diferentes. É incrível a quantidade de plots que há numa temporada de L Word, por exemplo, em comparação com o que se vê actualmente, em que parece que estamos a ver um filme dividido por 8 episódios, à espera que no último se dê o desfecho do que começou a acontecer no primeiro.
Por outro lado, em termos de narrativa, achei igualmente nostálgica e um tanto cómica a forma como era normal, nos anos 2000, as séries simplesmente fazerem desaparecer personagens sem deixar rasto. Lá está, havia tanto plot que o assunto dramático de um episódio ficava resolvido e, no episódio seguinte, essa história estava encerrada e não pesava na narrativa.
The L Word foi revolucionária por ser das primeiras séries a acompanhar as vidas de mulheres queer. À altura da revisão, estava com algum receio de encontrar um modo exploratório ou até mesmo fetichista de olhar as relações entre mulheres, mas não foi o caso. A série tem um grande foco no lado emocional das relações e mesmo as cenas de sexo são tratadas de forma natural e elegante. Talvez ajude o facto de a série ter sido criada precisamente por mulheres.
O plot principal, e o mote inicial da série, prende-se na Jenny Schecter, uma jovem mulher que se muda para West Hollywood, para a casa do namorado, e fica impressionada quando vê, na casa ao lado, a Shane envolvida com outra mulher. A Jenny acaba por conhecer, então, as vizinhas Bette e Tina, que a adoptam no grupo de amigas. A coisa complica quando a Jenny conhece Marina e percebe que se calhar há algo nela por descobrir… E o resto é história.
Achei curioso e irónico que, à semelhança do que aconteceu com a Jenny, The L Word parece que sabe algo sobre nós - meninas adolescentes estranhamente interessadas na série - que nós ainda temos por descobrir. Foi um mês e meio - dois meses bem passados na companhia destas mulheres. É, definitivamente, mais uma série que aconselho, nem que seja para descobrirem e saberem mais sobre a cultura sáfica, ou pelas vibes nostálgicas dos anos 2000.
Quis a sorte que eu estivesse “a viver” em West Hollywood durante o mês de Agosto e Setembro, pois também estava calor por cá. E, quando terminei a série, tinha à minha espera a nova temporada de Only Murders in the Building. Já actual, é igualmente uma série divertida e muito confortável para ver. Como tem uma vibe mais outonal, calhou bem nos meus timings. Porém, os episódios estão a sair semanalmente, pelo que procurava algo para ir vendo nos entretantos…
Já que vinha numa de vibes nostálgicas, aproveitei uma recomendação de um TikTok sobre séries de Outono sem serem as Gilmore Girls para ir descobrir a Charmed. Oh, que maravilha! Ainda apanha os anos 90, é sobre três irmãs que descobrem que são bruxas (hello, spooky season!), e tem tudo o que uma pessoa que adora Gilmore Girls poderia querer: uma casa super cozy, o plot tranquilo, vibes de small town, outfits super giros para babar, e a sensação de que é sempre outono. Ainda vou nos primórdios, mas estou mesmo contente de ter encontrado aqui mais uma série de conforto ideal para o Outono/Inverno. Fica como dica para quem gostar do género!
🍂 to do list outonal ☕
Trago updates! É com grande satisfação que vos digo que, da minha lista de afazeres para o Outono, já tratei dos seguintes recados:
Fui levar as botas ao sapateiro para substituir as solas por umas anti-derrapantes.
No sábado de manhã, visto não ter ido trabalhar, fui dar uma volta aqui pela cidade e comprei um novo par de combat boots. A sapataria é a Tapadas e as botas são de fabrico português. Timing perfeito que esta semana vai estar chuvosa.
Do outro lado da rua, existe uma Shop1One que gosto sempre de ir espreitar. Consegui encontrar umas calças de ganga que andava a precisar, uma vez que as minhas mom jeans se romperam e ainda não tive t€mpo de ir à Levi’s do Freeport. A Shop1One é assim uma espécie de fast-fashion portuguesa mas que passa muito despercebida. É pena porque já encontrei lá peças muito porreiras. Saí da loja com uma parka cor-de-rosa fofinha debaixo de olho… Estou a ver que vou lá voltar ASAP. Se ficaram com curiosidade, aconselho a tentarem encontrar uma loja perto de vocês, pois no site não está tudo o que se encontra no espaço físico.
Até para a semana,



