That's a wrap!
A Crónica de fim de ano.
Última segunda-feira do ano e, por isso mesmo, a última Crónica Lunática do ano. Ando há dias a tentar preparar mentalmente este texto sem saber por onde lhe pegar. Que balanço faço de 2024? Foi um ano… estranho. Definitivamente, houve um antes e um depois do meio do ano, após ter recebido a notícia de que não tinha conseguido entrar no curso. Esse, talvez, tenha sido o acontecimento mais marcante para mim, porque me lançou numa espiral negativa. Vi-me, mais uma vez, sem chão. Por outro lado, ter admitido para mim própria que os planos afinal iriam ser outros trouxe uma sensação de alívio. Ao menos já não estou no sufoco de saber que falhei.
Uma tarde destas fui beber um café com a minha sobrinha e conversávamos sobre isto. Disse-lhe que, desde que voltei a trabalhar pós-desemprego de dois anos, andei sempre à procura de um ano zero. Um ano que em que a vida tivesse corrido de forma tranquila de modo a preparar as bases para uma grande mudança, um grande acontecimento. E a verdade é que isso nunca chegou.
2022: pensei que tinha chegado o ano zero pois consegui encontrar o trabalho onde estou, livrando-me do horrível que foi o período da pandemia para mim; comecei a gerir o meu dinheiro com a obsessão de comprar casa pois, na minha cabeça, a pessoa de quem gostava ainda não estava comigo porque não tínhamos sítio para estar, e eu ter casa própria era o passo que faltava; tive a desilusão de perceber realmente quais são as despesas inerentes à compra de casa, o que me atrasou o plano brilhante que acabei de escrever.
2023: pensei que tinha chegado o ano zero pois continuava a fazer a minha poupança e a pessoa de quem eu gostava parecia estar finalmente disponível para estar comigo; este ano anulei-me completamente à espera de ser chamada para sair por essa mesma pessoa - a tal pela qual eu estava tão disposta a comprar casa o mais rapidamente possível - e acabei de coração partido; nesse último trimestre tinha tomado a decisão de que queria mesmo voltar a estudar e tinha planeado na minha cabeça tudo o que estava inerente a essa decisão, desde as rotinas de estudo às rotas de transportes públicos.
2024: pensei que tinha chegado o ano zero pois estava a recuperar do coração partido e entusiasmada com a tela em branco que iria ser a minha vida sem crushes a atrapalharem as minhas decisões; estava absolutamente convicta de que me iria candidatar e iria entrar no curso - o que não aconteceu; sofri com mais uma mudança de planos, pois foi-me tirado o tapete e tive de cair no chão. Talvez tenha sido o ano em que o Retorno de Saturno mais Saturnou. Na recta final, mudei de funções no meu trabalho e avista-se um ano de novidades neste campo.
Gostei deste ano? Sei que não gostei de sofrer o que sofri em Maio. Não gostei de ter deixado pelo caminho aquela psicose de entusiasmo pós-ano novo pós-coração partido com que entrei em Janeiro. Não gostei que tivesse morrido o meu pet-sobrinho, o cão dos meus amigos. Não gostei de ver a minha melhor amiga a passar um mau bocado. Não gostei de sentir que, por muito que uma pessoa se esforce, nunca há espaço para um aumento salarial. Não gostei de sentir que estou a “desperdiçar” o meu “potencial”. Não gostei de ter deixado de lado a costura. Não gostei de sentir que a vida continua na mesma pasmaceira.
Por outro lado, obriguei-me a lutar por coisas melhores. Adorei as minhas férias de Verão e brincar ao está tudo bem. Gostei de ter comprado uns perfumes para mim. Gostei de ter continuado a ver as minhas poupanças a aumentar. Gostei de ter estado mais com os meus amigos. Gostei de ter ido ao São Carlos pela primeira vez. Gostei de ter conhecido a namorada de uma amiga querida. Gostei de ter estado mais vezes com o meu bff. Gostei de ter cumprido e ultrapassado o meu objectivo de leitura para este ano. Gostei de ter começado a fazer terapia. Gostei de ter começado e conseguido manter a consistência no substack.
Não sei se a balança se equilibra ou se descai mais para um dos lados. É-me difícil dizer que este foi um ano feliz, pois não foi. Ao mesmo tempo, acho injusto dizer que foi um ano mau. Continuo com saúde. Continuo a ter os meus pais. E tenho a possibilidade de continuar a crescer. Tenho receio de dizer isto, porque a expectativa é um poço envenenado onde caio facilmente, mas algo me diz que 2025 poderá trazer boas surpresas. Assim espero. Talvez seja este o meu ano zero.
momentos cultura pop marcantes de 2024
Part of my personal reset is that I need to go on a private trip with a worldly homosexual man three times a year, or I won't be the person he loves.
Lena Dunham para a The New Yorker
Em Julho deste ano a Lena Dunham, autora da mítica série Girls, deu uma grande entrevista à revista New Yorker que eu adorei ler. De toda a entrevista, ficou-me marcada essa frase que ela disse, em relação ao seu parceiro: que ele aceita ela ter de ir de férias três vezes ao ano com o meu melhor amigo gay, ou ela não vai ser a pessoa que ele ama. Percebi exactamente o que ela quis dizer, pois eu sinto o mesmo. Longe de mim ter a possibilidade de tirar três férias por ano com o meu bestie gay, mas há algo nuns dias fora com ele que me balança e faz-me sentir viva. Adorava eventualmente viajar com ele para um destino internacional para estarmos de papo para o ar, como gostamos.
Falsos Lentos e Cubinho
Sei que este ano comecei a ouvir os Falsos Lentos e foi uma agradável surpresa. Adoro-os, adoro a dinâmica entre os três e adoro que sejam um podcast de futebol onde a bola é o tema que praticamente não entra na conversa. Foi por eles que me entusiasmei com o Europeu. E, muitas e muitas vezes, saber que tinha o episódio novo para ouvir à terça-feira ajudava-me a lidar com a semana. (Ouço em podcast, mas transmitem em directo à segunda-feira, no YouTube da Betlick)
Mais ou menos parecido, este ano passei muitas tardes de sábado e domingo na companhia dos meninos de Cubinho. Gosto muito de os ter “conhecido” ainda pequenos e estar a assistir ao crescimento do projecto e também da carreira deles individualmente. Trazem sempre temas curiosos, histórias loucas e uma dinâmica de grupo muito engraçada. (Vejo-os no YouTube do Freakshow)
os réveillons possíveis e os outros
Não gosto muito da passagem de ano. É um momento que me dá alguma ansiedade e me deixa assoberbada, principalmente quando era mais nova. Desde que comecei a passar com amigos, a coisa amainou um bocado. Ainda assim, acho que é um momento em que toda a gente se obriga a estar bem-disposto 😃, folião 🤠, alegre 🥳, Ano Novo Vida Nova 🎆, quando muitas vezes as pessoas estão só a despedir-se de um ano fraquinho para entrar noutro mais ou menos. No entanto, tenho uma bucket list de passagens de anos que gostava de viver, algumas perfeitamente fazíveis, outras fruto de clichés de filmes e séries - fica já o aviso. Já que amanhã é a Passagem de Ano, deixo-vos a minha lista de réveillons que gostaria de viver:
não fazer nada e viver o dia como se fosse um dia normal e uma noite igual a outra qualquer;
passar a dois, com ✨alguém especial✨, de preferência entre os lençóis;
num destino quente para não estar a passar com frio;
vestida de branco no Rio de Janeiro (podia cruzar com a anterior);
em Times Square, Nova Iorque (sim, eu sei que é flop e um pavor de gente, mas vejo isto nos filmes e acho o máximo).
Pronto, literalmente não tenho mais ideias. Eu disse que não gostava muito desta festa. Já me dou por satisfeita de passar um serão divertido com amigos.
Que venha o ano novo, com tudo o que tenho planeado mas que ainda não passei para o papel. Vemo-nos para a semana, com os meus objectivos para 2025.
Feliz Ano Novo! 🥂



gostou da paçoquinha trazida diretamente do brasil também que eu sei ;)
gostei muito de te acompanhar esse ano, rafa! estarei aqui para os próximos, adoro a forma como você escreve e tô sempre torcendo por você. feliz 2025 <3
olá, rafaela! acabei de descobrir o teu substack, ler dois dos teus posts e ficar tua fã - tudo em menos de 15 minutos. identifiquei-me muito com esta publicação, em particular, quer porque ando há anos a pensar naquilo que chamas de 'ano zero' (termo perfeito) e ainda não descobri como se o coloca em prática, quer porque fiz algumas tentativas nos últimos tempos de ter fases zero, pelo menos, que consistiram em voltar a estudar, numa área totalmente diferente da minha inicial (mais uma coisa em que me identifiquei contigo), voltar a hobbies antigos, e ficar de baixa médica - o que, não tendo sido uma escolha, me obrigou a parar abruptamente e a pensar que, de facto, preciso de começar do zero, mais do que nunca. além disso, cheguei aos 30 também, há uma semana, mais ou menos. por isso estamos juntas! bom ano, estarei aqui no final para ler como foi aquele em que tudo começou a mudar :)