25 Comentários
Avatar de User
Avatar de Rita Dantas

Eu tenderia a concordar contigo (eu sou uma people-pleaser, até em portunhol me teria arriscado), mas conheço alguns alemães e alguns portugueses que até falam inglês, mas perdem o à vontade ao falar inglês, é como se ficassem manietados (e ainda por cima para falar sobre ideias complexas). Nunca o li, mas estou do lado dele.

Já sobre o desenrascanço, também acho que é uma virtude nacional não suficientemente elogiada. Se dependesse de mim, todos os eventos seriam planeados por alemães e executados nos últimos três dias por portugueses.

Avatar de Rafaela

Acho que fiquei especialmente picada pelo fenómeno de ter pessoas que criticam tanto o inglês dos outros, e o facto dos outros não saberem inglês, agora estarem a defender o seu filósofo-fétiche. Pois! Afinal, saber comunicar noutra língua não é assim tão simples, mas só temos tolerância com uns e não com outros. Que raiva quando me fazem defender pessoas de que nem gosto 😭😭

Adorei a solução de compromisso, é de facto uma qualidade tuga que dá jeito :)

Avatar de Sofia Rocha e Silva

De quem lida de perto com esta logística, parece-me que algo estranho aconteceu na contratação desta conferência. Isto é o tipo de coisa que devia estar em contrato. Se não estava, seria natural que a parte contratante assumisse que seria em inglês, mas se estava, alguém o leu na diagonal.

Acho que demonstra a intenção frágil com algumas destas iniciativas culturais são feitas, mesmo que a sinopse seja sempre "para as pessoas". Sabemos que não é. Haver público é uma consequência (e uma ferramenta) da estratégia de marca.

Avatar de Rafaela

Interessante, não fazia ideia! Opa, acaba por revelar que de facto foi tudo um bocadinho amador… Pronto, para o ano fazem melhor!

Avatar de Sofia Rocha e Silva

Será amadorismo? Às vezes o amador peca pelo oposto, muita vontade de fazer, muita intenção de dar ao público, pouca capacidade de execução. Aqui tens muita capacidade de execução, imensa, orçamentos com folga, tudo e um par de botas, mas olhando de cima pode ser fácil esquecer que isto é suposto feito para pessoas que estão ali num dia muito quente, a querer ouvir o que vai ser dito.

Avatar de Sofia Rocha e Silva

E agora venho acrescentar que estive a ler mais notícias sobre o festival e este episódio até que parecer ter sido um percalço. Ainda não há balanço por parte da organização, acho, mas quero ver se avançam com promessa de mais edições! Espero que sim.

Avatar de Gui

Da minha perspetiva, acho que é difícil adaptar o discurso filosófico para outra língua. Digo isto porque me lembro de aulas de filosofia na faculdade passadas a rever uma única palavra em alemão, grego ou francês e a tentar perceber o equivalente mais próximo em português. Se o Byung estava a preparar um discurso mais simples e acessível talvez não faça diferença, mas eu recordo-me dos livros dele usarem alguns conceitos mais técnicos e neste caso é sempre preferível traduzir do original. Os filósofos são muito chatos com a língua, o que também me leva a pensar que um intérprete desenrascado à última hora também não é uma boa opção. Mas acho que a falta de preparação dos organizadores (que, já agora, não é caso isolado - aconteceu o mesmo no Fólio há uns anos com a Olga Tokarczuk a falar polaco) é que é surpreendente. E acho que isto vem de um certo provincianismo disfarçado de sofisticação. Noutros países, culto é quem valoriza a própria língua. Em Portugal, culto é quem fala inglês/francês e nem precisa de tradução. Ao ponto que estrangeiros pensam que nem é preciso recordarem os organizadores que precisam de interpretação na própria língua, e os organizadores portugueses nem poem a hipótese de se falar algo que não seja inglês...

Avatar de Rafaela

Sim, óbvio que isto é culpa da organização do festival, espero que tenha ficado claro que também penso isso. Não sei que discurso é que ele tinha preparado, mas como sou mázinha, vou dizer que o público estava ali mais para o ouvir dizer que o burnout é consequência do capitalismo (que é!) e que precisamos é de mais descanso e menos horas de trabalho (que precisamos!), e não para uma grande discussão de filosofia avançada.

Eu não sou tão radical, acho obviamente que devemos valorizar as línguas maternas, mas também acho que é bastante digno saber-se falar outros idiomas, sim. Nem tanto ao mar nem tanto à terra :)

Avatar de Gui

Hahaha concordo perfeitamente que o público não estava à espera de uma aula de filosofia (mas os filósofos tendem a não querer saber disso). E acho que a parte mais forte do teu argumento é mesmo que um empregado de mesa é suposto quase saber mais línguas do que um académico. Nem tanto ao mar nem tanto à terra, de facto!

Avatar de Rafaela

Sim, foi um bocado isso que me "picou" na discussão. Perguntei-me se ele não poderia falar inglês, pronto, de forma leviana; e de repente tenho grandes defensores do senhor a dizer que nem pensar !!! Ora, mas porquê? Caramba, é um académico... e ainda por cima de Humanidades! É errado supor que soubesse inglês? 😅

Avatar de Gui

Sim, isso concordo completamente, havia de ser um académico brasileiro a insistir falar só português... Talvez não tivesse defensores nenhuns. Outra coisa que acho que nos choca, pelo menos a mim chocou no caso da Olga no Fólio, é que não há assim tantos mega-eventos culturais em Portugal, especialmente de literatura. Há gente que faz centenas de quilómetros para conseguir ir a um, de tal forma está a cultura centralizada. E depois a vedeta não consegue dar um jeitinho... No nosso país então que damos cambalhotas só para não importunar quem não sabe português, dói mais.

Avatar de Rafaela

Exactamente!!! Foi esse o sentimento com que fiquei…

Avatar de Maria Luísa

Independentemente de tudo, a organização deveria ter acautelado isso. Imagina que o homem só falava coreano, teriam de proporcionar a tradução sim ou sim. :) Que falhanço!

Avatar de Rafaela

Claro que sim! Cheira-me que todo o evento ficou assim um bocadinho aquém, mas tenho uma amiga que foi e estou desejosa que ela lance o texto que escreveu sobre isto tudo ahahah

Avatar de Miss Lolita von Tease

Eu acho que no caso dele faria o mesmo honestamente!

Avatar de Rafaela

Eu acho que ia depender se nesse dia acordava com mau feitio ou não :P

Avatar de Miss Lolita von Tease

Eu para incompetência acordo sempre de mau feitio!

Avatar de carolina novo

eu não estive nessa sessão, por isso não sei dizer muito para além do que foi mencionado, mas não tenho razão de queixa de mais nenhuma das sessões em que estive (nomeadamente a da Olga Tokarczuk, que falou em polaco, em que a entrevistadora falou em português e houve tradução simultânea, para o público, em inglês e português - por isso pelo menos aí a organização fez bastantes esforços para que tudo corresse bem). Na minha opinião, não foi um evento nada tosco; temos de nos lembrar que foi uma primeira edição, com imensa, imensa gente, com dificuldades que surgem sempre, e, mesmo assim, sinto que foi uma das melhores coisas que poderia ter acontecido ultimamente. Eu vivi-o com muita emoção, talvez também por ser na minha cidade e por nunca ter pensado em ter, numa primeira edição de um festival, aqui tão perto, e de forma tão acessível (se tivermos em conta que bastava comprar um livro para ter bilhete, e podia ser qualquer um), com nomes tão grandes da literatura. Por isso acho que temos de focar nisso, no bonito que foi, na importância que teve, em como aumenta o capital cultural da cidade e como juntou tanta gente em torno dos livros. Claro que isto não invalida a crítica que fizeste; é mais um comentário geral, mas honestamente sinto que esta é uma daquelas coisas que temos de, sobretudo, parabenizar :)

Avatar de Rafaela

Sim, claro, também acho importante haver o festival e espero que haja edições futuras. Na verdade, o meu texto foi mais pela embirração da inflexibilidade do orador em safar um inglês, e depois a embirração de toda a gente defender que ele não tem nada de saber falar inglês, como se eu estivesse a exigir isso de um pobre coitado com a quarta classe e não um académico de alto gabarito.

De resto, do que apanhei na net, houve experiências para todos os gostos. Houve pessoas que passaram algumas peripécias, houve outras a quem correu tudo bem. No final do dia, acho positivo termos estes eventos. Já cansava Portugal ficar tão no esquecimento, foi incrível ter cá tantos nomes sonantes da literatura, sem dúvida!

Avatar de carolina novo

Entendo o que dizes, Rafa! E também acho um pouco surreal esta reação das pessoas perante alguém como ele.

Enfim, haverá sempre experiências diferentes para todos, e felizmente na próxima edição correrá tudo melhor :)

Avatar de E o Porto aqui tão perto

O Krasznahorkai também falou em húngaro. Aliás, esteve à conversa com o Abrunhosa, que lhe falava em português 😊 Houve tradução simultânea por IA que, apesar de não ser perfeita, funcionou relativamente bem.

Quanto ao evento em si, parece que houve vários problemas (como os drones no Douro, que também tiveram muitas críticas apesar das fotografias bonitas). Mas, do que fui acompanhando, o saldo parece-me positivo.

O mais importante é que mostrou que há público no Porto para este tipo de eventos.

Agora é esperar para ver se volta no próximo ano e se aprendem com os erros desta edição.

Avatar de Rafaela

Claro, há sempre espaço para aprender com os erros e melhorar nas próximas edições.

Avatar de Sofia Costa Lima

Foi, de facto, surpreendente que a organização não tenha pensado em questionar em que língua preferia o autor falar (ou questionar se podia/queria falar em inglês), visto que nas outras sessões feitas em inglês tinham tradução simultânea. Ainda por cima para uma sessão inaugural, com todos os olhos em cima deles, torna-se ainda mais insólito.

Eu acho que a premissa do festival é boa e tem margem de continuidade… mas também de melhoria, porque até vi bom feedback, mas houve pormenores que falharam (ainda não encontrei uma única pessoa que me tenha dito que fez sentido os bilhetes dizerem que era obrigatório levar um livro quando ninguém via se as pessoas levavam livros) e no concerto a que fui fiquei muito mal impressionada com a falta de noção logística. Talvez na próxima edição se fale esperanto…

Avatar de Rafaela

Sim, dos feedbacks que fui vendo pela net, foi assim tudo um bocadinho tosco. Mas também gostei da premissa e, de facto, trouxeram nomes sonantes. Com a coisa mais oleada, parece ser um festival bem fixe. Também nunca fui ao Folio, em Óbidos, e gostava muito de ir eventualmente!