Adorei. Tudo on point. Penso da mesma forma. Em vez de encararem a série como uma porta de entrada para conversas importantes e necessárias perderam-se nos emojis ??
Além daquilo que já falamos: a pouca empatia que há para com os adolescentes, que se estão a descobrir. É a primeira vez que se descobrem fora do mundo dos pais. Estão a descobrir quem são, hormonas, desenvolvimento do corpo e isto passa tudo ao lado porque lidam com eles como se fossem adultos, excepto que são....crianças.
Na mouche! Achei o mesmo sobre a conversa dos emojis. Passa ao lado. Ainda me falta ver o último episódio, estou sem pressa, mas também não estou surpreendida. É como dizes, isto anda pela internet e não é subtil, nem escondido. O meu filho mais velho só tem 2 anos e já penso muito em acesso à internet, como introduzir, quando, com que limites, etc.
Opa, eu estava mesmo a dar em louca com a história dos emojis... a sério? A sério que foi isto que ficou daquela série? Enfim. Compreendo os teus receios. Lá está, não tenho filhos mas penso tantas vezes nisso, como será criar uma criança nestes tempos? Que limites impor? Como lidar com a internet nestes moldes? Quero acreditar que dotando os miúdos de conhecimento, os salvamos de muitos perigos.
Isso! E treinar alguma paciência e "delayed rewards", mostrar-lhes que a vida offline é bastante boa antes de entrarem no online, porque o contrário é muito mais difícil. Vai parecer tudo lento e demasiado trabalhoso. Mas é um dilema, acredito que, quando ele for adolescente, as coisas vão ser um bocado diferentes; mais consciência coletiva.
Obrigada!!!!!! Finalmente alguém com a mesma leitura que eu fiz da série! Confesso que fui pesquisar incels e 80-20. Assim como a palavra que escrevem no carro do pai ( que agora não me lembro).
Já me preocupavam com
os meus sobrinhos e a reação dos pais à série não ajudou!
Exacto decifrar emojis básicos , não irá ajudar como ouvir as conversas que os gamers têm para toda a casa ouvir, que vão falando dos “tamanhos normais” de penis para cada idade e se chamam paneleiros uns aos outros. Que jogam jogos que lhes dão pontos se matarem/ violarem mulheres, atropelarem velhinhas ( não percebo porque é que nunca há velhinhos na rua nestes jogos 😊).
Enfim, também ouço o “ quando tiveres filhos falamos”, ok mas enquanto não tenho, nem sei se vou ter, gosto muito dos vossos e acho que se deveria conversar mais. Os que jantam com a tv ligada nas notícias, expliquem o que se está a passar!
Soft and quiet! As voltas que eu já dei para me lembrar do nome deste filme, que também é filmado num take e evolui de uma maneira que fica um nó na garganta e outro na barriga até ao fim!
Obrigada pelo teu comentário, Marlene! Olha fico feliz de a série te ter feito ir pesquisar incel e o 80-20, ao menos foste aprender e dá para ficar alerta. Infelizmente, muitos ficaram presos aos emojis… De resto, compreendo-te perfeitamente, não tenho filhos mas gosto de pensar nos garotos e de saber como agem no mundo. Tenho esperanças de que ainda vamos conseguir virar isto!
"Porém, este louvor grandioso como se, de repente, estivéssemos perante o pináculo televisivo poderá ser porque as pessoas não vêm assim tantas séries boas…? "
Na mouche. A minha teoria é quem está habituado a ver séries da Netflix (que são exclusivamente comerciais, para público jovem e menos informado) não tem noção do que está a ser produzido por outros estúdios, como o da HBO. Isto, não tirando o mérito de a Netflix ter muitas séries excelentes. Mas em termos proporcionais? A HBO ganha.
"Devido à produção não-muito-hollywoodesca da série, quem não é cronicamente online não percebeu NADA do que se estava a passar."
Mais uma vez, touché. Senti isso. Até eu, que estou (demasiado) dentro da esfera online, senti que não se ficou a entender muito bem. As referências à manosfera foram subtis e nunca foram comprovadas. Limitaram-se a "chamavam-lhe um incel". Ok. Mas ele ERA um incel? Não ficou claro. A única coisa que ficou clara é que ele sofria de bullying e vingou-se numa das agressoras. Mas porquê? O que é que despoletou? Ele odiava-a por ser rapariga ou odiava-a por ser uma bully? O bullying começou antes ou depois de ele entrar na manosfera? É como se a investigação tivesse sido cortada a meio.
" Então, desta cena importantíssima que explica o enquadramento político e cultural daquele rapaz, o público agarrou-se ao que conseguiu perceber: os emojis usados pela menina significavam não-sei-o-quê, que insultaram o moço, e se calhar ela fazia-lhe bullying."
Pretty much.
"Será que ouviram o rapaz contar que a foi convidar para sair por pensar que a auto-estima dela estava na lama, depois de ter sido vítima de partilha de conteúdos íntimos? Perceberam que ele se queria aproveitar dela? Humilhá-la? Ou só perceberam que ele, coitadinho, se calhar no fundo até gostava dela, e ela rejeitou-o? Humm"
Tou-fucking-ché.
"Da vida secreta que os adolescentes vivem à margem do controlo dos pais. E é aqui que a porca também torce o rabo: qual é o papel dos pais no meio disto tudo e o que se pode fazer para tomar algum controlo?"
Eu fiquei com a sensação que aqueles pais fizeram tudo o que podiam ter feito com as circunstâncias das vidas deles. Não eram maus pais, nem eram pais desligados. Como eles próprios disseram, pensaram que ele estava no quarto, que estava seguro. É claro que, assumindo que a série de passa *agora* e não nos anos 2010, estes pais já deviam saber (porque são millenials) que, onde há internet, não há segurança. Mas isso são outros tantos. A questão é que: eles deram o seu melhor. E acho que parte da mensagem da série é mesmo essa - que por muito excelentes que os pais sejam, há demasiadas coisas que fogem ao controlo deles. Que onde existe internet, exite uma infinitude de possibilidades. Que os pais e os professores já não são os únicos ADULTOS a influencer os miúdos.
"Ora, os adolescentes são, efectivamente, crianças. Portanto quem tem de saber lidar com isto são os adultos. Faz-me confusão como é que os pais têm tão pouca curiosidade sobre os filhos adolescentes, limitando-se a reclamar que eles “só querem sair com os amigos”. E que a conversa com os filhos se resuma ao “então e as notas?” “e a escola?” “como é que estão as notas?” “as notas” “as notas” “as notas”. Foda-se as notas. Vêem as notícias em família, à hora do jantar? Comentam? Ouvem a opinião dos vossos filhos? Levam-nos convosco a votar? A uma manifestação? Falam sobre o que se passa no mundo? Conhecem alguma coisa do que eles pensam sem ser sobre “as notas”? Mostram-lhes filmes? Livros? Vão a um concerto juntos?"
Parágrafo MARAVILHOSO.
"Eu já conheço aquele discurso e sei que anda aí. Felizmente, esta viralada chegou a muita gente fora da bolha do Numeiro. Chegou aos pais. E talvez tenha servido de alerta, de chamada de atenção. Sim, é isto que os teus filhos de 13 anos poderão estar a ver. E é esta a mensagem preocupante que eles têm na palma da mão, não os emojis. Estejamos atentos."
Obrigada pelo teu comentário, Rafaela! Achaste que os pais daquela série eram millennials? Eu achei-os genX, um bocadinho velhos de mais para serem millennials, na minha opinião. Sei que culpar os pais é injusto e espero que o meu texto não passe essa mensagem. Mas é verdade que há uma desconexão entre pais e filhos, há muita pouca curiosidade dos pais pelo mundo dos filhos. Por acaso não mencionei no texto porque perdi a referência, mas passei por um post de uma psicóloga infantil no instagram que dizia que nunca ouviu em consultório os miúdos a referirem coisas do online mas sim que não eram ouvidos em casa; que sentiam que não importavam; que sentem muita pressão para ter boas notas, etc. Isto também leva os miúdos a procurarem refúgio onde conseguem. Enfim, mas é muito triste o estado do mundo actual e esta nova geração de pirralhos machistas.
Eu diria que eles estão entre os 45 e os 55, o que os faz (eu sei, bizarro) algures entre os millenials e a gen-x. Mas os pais de *adolescentes* em 2025 são, na sua maioria, millenials (entre os 35 e os 45). Eu sei que é estranho, porque provavelmente nós as 2 nos identificamos como millenials (late millenials, pelo menos), mas a verdade é que essa geração já são os pais de agora xD
Não, não senti que estavas a culpar os pais. Estavas a responsabilizá-los por serem desligados. Mas também reconheceste que é quase impossível estarem ligados.
Sim. A cunhada de uma colega minha é psicóloga infantil, e o que a senhora diz é que há cada vez mais miúdos de 10 viciados em pornografia, e que os problemas dos miúdos de agora são muito específicos. 10 anos. Eles deviam andar a comer terra!
Ainda não vi a série, mas também reagi da mesma forma à questão dos emojis e concordo com tudo o resto que dizes - que absurdo agora acharmos que a solução agora é irmos todos procurar as menções a sexo nas trocas de mensagens dos nossos filhos e descodificar emojis ser parte relevante da solução!
Tenho muito medo deste renascimento do machismo mais básico, mas não tenho dúvidas de que o pânico acertou ao lado.
O pânico dos emojis lembrou-me quando, na minha adolescência, houve um pânico em relação a umas pulseiras de plástico coloridas que as miúdas usavam. Supostamente cada cor significava uma coisa que as miúdas “faziam”, com a pulsei preta a significar “sexo” 😱😱 ahahahah
A série está excelente, mas quem não está por dentro, não percebeu mesmo nada. Este machismo é muito preocupante e é triste que sejam estes bonecos que os miúdos idolatram, só porque aparecem em vídeos com grandes carros e um estilo de vida apetecível. Também se devia falar mais sobre isto.
É muito isto. Estou a escrever há semanas sobre isto e sinto que preciso digerir tanta coisa da série, do mundo. Estou bem por dentro das temáticas e já escrevi a alertar para muitos dos perigos. Mas a ignorância de que falas é generalizada, a grande maioria dos pais não têm ferramentas para lidar com isto. A somar à desresponsabilização, abandono das crias aos ecrãs desde tenra idade, falta de literacia (emocional, financeira, política, literária) estamos em plena receita para o desastre.
Sem dúvida. Atenção, tal como referi, é normal os miúdos terem interesses e comportamentos de que os pais nem fazem ideia, mas é importante tentar controlar o máximo de danos. Toda a minha vida andei na internet sem supervisão, a escrever blogs, nas redes sociais, sei lá eu, mas tenho uma base forte de bons valores. Acho que o mais importante é isso, garantir que os miúdos aprendem bons valores em casa.
Muito bom texto e concordo a 100% com questão de que se uma pessoa não estiver cronicamente online esta questão toda do red pill e etc vai passar por cima da cabeça de muita gente.
E por muito que as pessoas possam não gostar do ED quando ela faz episódios sobre Youtubers da vida, são esses os episódios que muitas vezes os pais precisam de ouvir.
Eu só estou a par dos Youtubers portugueses por causa dos reacts d'Os Primos.
Sim. A Joana Marques faz um trabalho de quase serviço público ao mostrar o ridículo que anda por aí em certos circuitos da net. Quando percebi que o ED era mais isso do que outra coisa, fiquei ouvinte fiel ahahah
Adorei. Tudo on point. Penso da mesma forma. Em vez de encararem a série como uma porta de entrada para conversas importantes e necessárias perderam-se nos emojis ??
Além daquilo que já falamos: a pouca empatia que há para com os adolescentes, que se estão a descobrir. É a primeira vez que se descobrem fora do mundo dos pais. Estão a descobrir quem são, hormonas, desenvolvimento do corpo e isto passa tudo ao lado porque lidam com eles como se fossem adultos, excepto que são....crianças.
Na mouche! Achei o mesmo sobre a conversa dos emojis. Passa ao lado. Ainda me falta ver o último episódio, estou sem pressa, mas também não estou surpreendida. É como dizes, isto anda pela internet e não é subtil, nem escondido. O meu filho mais velho só tem 2 anos e já penso muito em acesso à internet, como introduzir, quando, com que limites, etc.
Opa, eu estava mesmo a dar em louca com a história dos emojis... a sério? A sério que foi isto que ficou daquela série? Enfim. Compreendo os teus receios. Lá está, não tenho filhos mas penso tantas vezes nisso, como será criar uma criança nestes tempos? Que limites impor? Como lidar com a internet nestes moldes? Quero acreditar que dotando os miúdos de conhecimento, os salvamos de muitos perigos.
Isso! E treinar alguma paciência e "delayed rewards", mostrar-lhes que a vida offline é bastante boa antes de entrarem no online, porque o contrário é muito mais difícil. Vai parecer tudo lento e demasiado trabalhoso. Mas é um dilema, acredito que, quando ele for adolescente, as coisas vão ser um bocado diferentes; mais consciência coletiva.
Obrigada!!!!!! Finalmente alguém com a mesma leitura que eu fiz da série! Confesso que fui pesquisar incels e 80-20. Assim como a palavra que escrevem no carro do pai ( que agora não me lembro).
Já me preocupavam com
os meus sobrinhos e a reação dos pais à série não ajudou!
Exacto decifrar emojis básicos , não irá ajudar como ouvir as conversas que os gamers têm para toda a casa ouvir, que vão falando dos “tamanhos normais” de penis para cada idade e se chamam paneleiros uns aos outros. Que jogam jogos que lhes dão pontos se matarem/ violarem mulheres, atropelarem velhinhas ( não percebo porque é que nunca há velhinhos na rua nestes jogos 😊).
Enfim, também ouço o “ quando tiveres filhos falamos”, ok mas enquanto não tenho, nem sei se vou ter, gosto muito dos vossos e acho que se deveria conversar mais. Os que jantam com a tv ligada nas notícias, expliquem o que se está a passar!
Soft and quiet! As voltas que eu já dei para me lembrar do nome deste filme, que também é filmado num take e evolui de uma maneira que fica um nó na garganta e outro na barriga até ao fim!
Obrigada qualquer coisinha Sra!
Obrigada pelo teu comentário, Marlene! Olha fico feliz de a série te ter feito ir pesquisar incel e o 80-20, ao menos foste aprender e dá para ficar alerta. Infelizmente, muitos ficaram presos aos emojis… De resto, compreendo-te perfeitamente, não tenho filhos mas gosto de pensar nos garotos e de saber como agem no mundo. Tenho esperanças de que ainda vamos conseguir virar isto!
Soft&Quiet é um filmaço !!!!
"Porém, este louvor grandioso como se, de repente, estivéssemos perante o pináculo televisivo poderá ser porque as pessoas não vêm assim tantas séries boas…? "
Na mouche. A minha teoria é quem está habituado a ver séries da Netflix (que são exclusivamente comerciais, para público jovem e menos informado) não tem noção do que está a ser produzido por outros estúdios, como o da HBO. Isto, não tirando o mérito de a Netflix ter muitas séries excelentes. Mas em termos proporcionais? A HBO ganha.
"Devido à produção não-muito-hollywoodesca da série, quem não é cronicamente online não percebeu NADA do que se estava a passar."
Mais uma vez, touché. Senti isso. Até eu, que estou (demasiado) dentro da esfera online, senti que não se ficou a entender muito bem. As referências à manosfera foram subtis e nunca foram comprovadas. Limitaram-se a "chamavam-lhe um incel". Ok. Mas ele ERA um incel? Não ficou claro. A única coisa que ficou clara é que ele sofria de bullying e vingou-se numa das agressoras. Mas porquê? O que é que despoletou? Ele odiava-a por ser rapariga ou odiava-a por ser uma bully? O bullying começou antes ou depois de ele entrar na manosfera? É como se a investigação tivesse sido cortada a meio.
" Então, desta cena importantíssima que explica o enquadramento político e cultural daquele rapaz, o público agarrou-se ao que conseguiu perceber: os emojis usados pela menina significavam não-sei-o-quê, que insultaram o moço, e se calhar ela fazia-lhe bullying."
Pretty much.
"Será que ouviram o rapaz contar que a foi convidar para sair por pensar que a auto-estima dela estava na lama, depois de ter sido vítima de partilha de conteúdos íntimos? Perceberam que ele se queria aproveitar dela? Humilhá-la? Ou só perceberam que ele, coitadinho, se calhar no fundo até gostava dela, e ela rejeitou-o? Humm"
Tou-fucking-ché.
"Da vida secreta que os adolescentes vivem à margem do controlo dos pais. E é aqui que a porca também torce o rabo: qual é o papel dos pais no meio disto tudo e o que se pode fazer para tomar algum controlo?"
Eu fiquei com a sensação que aqueles pais fizeram tudo o que podiam ter feito com as circunstâncias das vidas deles. Não eram maus pais, nem eram pais desligados. Como eles próprios disseram, pensaram que ele estava no quarto, que estava seguro. É claro que, assumindo que a série de passa *agora* e não nos anos 2010, estes pais já deviam saber (porque são millenials) que, onde há internet, não há segurança. Mas isso são outros tantos. A questão é que: eles deram o seu melhor. E acho que parte da mensagem da série é mesmo essa - que por muito excelentes que os pais sejam, há demasiadas coisas que fogem ao controlo deles. Que onde existe internet, exite uma infinitude de possibilidades. Que os pais e os professores já não são os únicos ADULTOS a influencer os miúdos.
"Ora, os adolescentes são, efectivamente, crianças. Portanto quem tem de saber lidar com isto são os adultos. Faz-me confusão como é que os pais têm tão pouca curiosidade sobre os filhos adolescentes, limitando-se a reclamar que eles “só querem sair com os amigos”. E que a conversa com os filhos se resuma ao “então e as notas?” “e a escola?” “como é que estão as notas?” “as notas” “as notas” “as notas”. Foda-se as notas. Vêem as notícias em família, à hora do jantar? Comentam? Ouvem a opinião dos vossos filhos? Levam-nos convosco a votar? A uma manifestação? Falam sobre o que se passa no mundo? Conhecem alguma coisa do que eles pensam sem ser sobre “as notas”? Mostram-lhes filmes? Livros? Vão a um concerto juntos?"
Parágrafo MARAVILHOSO.
"Eu já conheço aquele discurso e sei que anda aí. Felizmente, esta viralada chegou a muita gente fora da bolha do Numeiro. Chegou aos pais. E talvez tenha servido de alerta, de chamada de atenção. Sim, é isto que os teus filhos de 13 anos poderão estar a ver. E é esta a mensagem preocupante que eles têm na palma da mão, não os emojis. Estejamos atentos."
palminhas, palminhas.
Obrigada pelo teu comentário, Rafaela! Achaste que os pais daquela série eram millennials? Eu achei-os genX, um bocadinho velhos de mais para serem millennials, na minha opinião. Sei que culpar os pais é injusto e espero que o meu texto não passe essa mensagem. Mas é verdade que há uma desconexão entre pais e filhos, há muita pouca curiosidade dos pais pelo mundo dos filhos. Por acaso não mencionei no texto porque perdi a referência, mas passei por um post de uma psicóloga infantil no instagram que dizia que nunca ouviu em consultório os miúdos a referirem coisas do online mas sim que não eram ouvidos em casa; que sentiam que não importavam; que sentem muita pressão para ter boas notas, etc. Isto também leva os miúdos a procurarem refúgio onde conseguem. Enfim, mas é muito triste o estado do mundo actual e esta nova geração de pirralhos machistas.
Eu diria que eles estão entre os 45 e os 55, o que os faz (eu sei, bizarro) algures entre os millenials e a gen-x. Mas os pais de *adolescentes* em 2025 são, na sua maioria, millenials (entre os 35 e os 45). Eu sei que é estranho, porque provavelmente nós as 2 nos identificamos como millenials (late millenials, pelo menos), mas a verdade é que essa geração já são os pais de agora xD
Não, não senti que estavas a culpar os pais. Estavas a responsabilizá-los por serem desligados. Mas também reconheceste que é quase impossível estarem ligados.
Sim. A cunhada de uma colega minha é psicóloga infantil, e o que a senhora diz é que há cada vez mais miúdos de 10 viciados em pornografia, e que os problemas dos miúdos de agora são muito específicos. 10 anos. Eles deviam andar a comer terra!
Ainda não vi a série, mas também reagi da mesma forma à questão dos emojis e concordo com tudo o resto que dizes - que absurdo agora acharmos que a solução agora é irmos todos procurar as menções a sexo nas trocas de mensagens dos nossos filhos e descodificar emojis ser parte relevante da solução!
Tenho muito medo deste renascimento do machismo mais básico, mas não tenho dúvidas de que o pânico acertou ao lado.
O pânico dos emojis lembrou-me quando, na minha adolescência, houve um pânico em relação a umas pulseiras de plástico coloridas que as miúdas usavam. Supostamente cada cor significava uma coisa que as miúdas “faziam”, com a pulsei preta a significar “sexo” 😱😱 ahahahah
A série está excelente, mas quem não está por dentro, não percebeu mesmo nada. Este machismo é muito preocupante e é triste que sejam estes bonecos que os miúdos idolatram, só porque aparecem em vídeos com grandes carros e um estilo de vida apetecível. Também se devia falar mais sobre isto.
É muito isto. Estou a escrever há semanas sobre isto e sinto que preciso digerir tanta coisa da série, do mundo. Estou bem por dentro das temáticas e já escrevi a alertar para muitos dos perigos. Mas a ignorância de que falas é generalizada, a grande maioria dos pais não têm ferramentas para lidar com isto. A somar à desresponsabilização, abandono das crias aos ecrãs desde tenra idade, falta de literacia (emocional, financeira, política, literária) estamos em plena receita para o desastre.
Sem dúvida. Atenção, tal como referi, é normal os miúdos terem interesses e comportamentos de que os pais nem fazem ideia, mas é importante tentar controlar o máximo de danos. Toda a minha vida andei na internet sem supervisão, a escrever blogs, nas redes sociais, sei lá eu, mas tenho uma base forte de bons valores. Acho que o mais importante é isso, garantir que os miúdos aprendem bons valores em casa.
Muito bom texto e concordo a 100% com questão de que se uma pessoa não estiver cronicamente online esta questão toda do red pill e etc vai passar por cima da cabeça de muita gente.
E por muito que as pessoas possam não gostar do ED quando ela faz episódios sobre Youtubers da vida, são esses os episódios que muitas vezes os pais precisam de ouvir.
Eu só estou a par dos Youtubers portugueses por causa dos reacts d'Os Primos.
Sim. A Joana Marques faz um trabalho de quase serviço público ao mostrar o ridículo que anda por aí em certos circuitos da net. Quando percebi que o ED era mais isso do que outra coisa, fiquei ouvinte fiel ahahah