Adorei que começas a tentar “proteger” a identidade da Tânia (ou assim me pareceu) e depois salta-te a tampa e dizes o nome 🤣 Mas olha, entendo-te. No caso dela acho que não faz sentido nenhum, mas também já há muito tempo que não me deslumbro com ela. Não acho que ela alguma vez tenha sido só psicóloga/sexóloga sinceramente. Por outro lado, não acho que se deva enfiar todos os influencers no mesmo saco. Um influencer é alguém que te influencie a fazer alguma coisa. Não é quem tenta influenciar, é quem consegue. E nesse sentido tantos influencers que eu conheço aqui no Substack, que já me fizeram gastar dezenas de euros em arte e livros.
Eu confesso que estava a rodear o assunto mas depois fartei-me de andar com paninhos quentes, sim, é dela que estou a falar e pronto, que se lixe! (Além de outros, enfim…) Em termos do seu conteúdo profissional, também há muito que deixou de me impressionar, acho tudo muito básico e bê-à-bá, mas tendo em contra o panorama do país e o público dela…….. enfim, é esse o nível em que estamos, infelizmente.
Ya, percebo o que dizes e concordo. Aliás, embirro à parva com o nome/conceito “influencer”, parece só uma palavra meio finória para “pessoa que faz publicidade profissionalmente”. Um verdadeiro influencer, como dizes e bem, é alguém que nos faz procurar alguma coisa por recomendação. Não é estar no instagram a ver ainda mais anúncios 😭
Tenho que concordar. Também já não aguento a #pub ! Deixei de seguir muitas “girlies” porque de facto acho que cheguei ao ponto de saturação que falas, parece que estou a ver anúncios de tv ou televendas! 🫠
Eu não me considero influencer 🥲 mas não posso deixar de dizer, que recebo livros de editoras e gosto de criar conteúdo sobre eles, seria hipócrita se dissesse o contrário. No entanto, já não consigo consumir muito conteúdo demasiado “show” ou de hauls, unboxing, não me cativa, nem que seja relacionado com livros…
No fundo acho que andamos todos fartos da quantidade de informação que nos chega pelas redes sociais, e estamos cada vez mais a filtrar o que vemos e isso até nem é mau, porque nos faz desconectar um pouco das redes e não ter tanto tempo de ecrã.
Acho que entretanto isto alastrará e será perceptível pelas marcas (espero eu) e encontrem outras formas de comunicar, que não sejam tão agressivas e tão “fake” como atualmente parecem todos os stories e publicações de #pub.
It’s ok receber coisas das marcas e fazer conteúdo sobre isso, principalmente no teu caso com os livros. É normal, as marcas fazem isto desde sempre, mandavam coisas grátis para as famosas usarem e fazerem pub acidental. A mim irrita-me mesmo é que a carreira destas pessoas é só fazer publicidades… Não têm mais nada a acrescentar? Epa… Tornam-se em televendas humanas, faz-me confusão.
Je suis d'accord! Também não tenho paciência nenhuma para as #pubs. Confesso que, no meu caso, o que me irrita mesmo é que eles já são pessoas que ganham bem e depois nunca pagam nada porque #pub e o zé povinho, como sempre, é que paga. Muitas das vezes são coisas/serviços caros (não vi todos, vi alguns, por isso, vou considerar esta afirmação um achsimo). Para eles é indiferente o preço, já que, para eles, teve um custo de 0€. Outra coisa que me irrita na #pub é que nunca é um conteúdo útil ou informativo, é sempre uma story da piça a dizer "gostei muito, são muito simpáticos e acessíveis" lol claro, para ti, são isso tudo mais um par de botas. Ou como também mencionaste quando fazem stories para mostrar que são "gente como a gente" e depois é tudo corrido a ajudas da #pub
Isto tornou-se mesmo uma praga, são televendas….. é um absurdo, eles são claramente usados pelas marcas para serem spots publicitários, mas como recebem umas borlas, as pessoas deixam-se levar!!!!
Creio que não há outra forma de o dizer - isto está entre uma praga e a transformação voluntária do ser humano num mupi publicitário.
A praga vem da trend de marketing que varre quase todas as marcas e que diz que o recurso a influencers é o caminho certo para a autenticidade, 'people centric' cenas e o vencer da resistência natural do público a canais de conteúdo publicitário puro e duro. E o grande problema das marcas, sejam gigantes ou o Zé Carlos Ninja dos Esgotos, é que em muitos casos só olham para o seu universo e não percebem o contexto (ou encolhem os ombros e siga) que o seu conteúdo é um múltiplo dos milhares que gravitam em sequência, ou seja, byebye autenticidade, e olá 'one minute here, next minute gone'. Poucas coisas ficam na cabeça porque não há grande criatividade, não há narrativas realmente diferenciadoras e, especialmente no TikTok, em que a presença de marcas é sempre muito mais dependente do criador de conteúdo, limitamo-nos a ver uma repetição por volume - o que torna a coisa mais irritante - dez pessoas lembram-se que aquele pão é que é, aquele creme é que é, aquela toalha é que é, tudo ao mesmo tempo.
Já a transformação da pessoa em mupi/outdoor humano é que me entristece um pouco mais, porque em certos casos até percebo que um influencer residual (ou wannabe) aceite ofertas ou produza conteúdo de parceria mais ou menos duvidosa, possivelmente pensando que é melhor aproveitar enquanto há. Mas em muitos casos, tens pessoas com alguma presença, alguma voz, que teoricamente já têm algum poder para recusar parcerias que não o beneficiem e, simplesmente, não o fazem. Não sei se têm agenciamento ou não, mas como dizes, será que pagar um electricista, uma manicure, um bikini, o que seja, é isso que vai fazer a diferença?
Será que essas pessoas não percebem que diluem a sua voz e a sua independência (mesmo que achem que não) ao se tornarem numa espécie de intervalo publicitário? Que podes dizer que sim a uma marca na tua esfera de influência, se for uma parceria que te eleve a ti e não apenas à marca, que faz um check no 'cromo' que já tem na caderneta?
Nunca foi fácil encontrar gente em Portugal capaz de resistir a sampling gratuito, mesmo que seja mau. Isto é só uma espécie de sucedâneo de social media.
Concordo a 100% contigo, e sendo um pouco advogado do diabo, partilho a minha solução: deixar de seguir e acompanhar esse tipo de criadores. Já não suporto influencers e essa malta que me faz perguntar "mas quem é essa mesmo?". Decidi usar o Instagram para seguir pessoas que conheço (amigos, colegas, mesmo aquela pessoa que não vejo desde o secundário, mas somehow acho interessante ver o que anda a fazer), ou contas que me dizem algo (artistas, ou mesmo influencers da área de desporto, saúde e bem-estar e que reconheço que partilham conteúdo de valor).
Ao mesmo tempo vivo esse dilema de querer partilhar coisas minhas e talvez ter um pequeno rendimento extra online, mas pensar que tenho de viver para o Instagram esgota-me antes de iniciar. Talvez haja um equilibrio que não encontrei ahah
Sim, eu não sigo quase ninguém desse género; tal como disse, chateia-me mais eu seguir pessoas pelo trabalho delas e depois ter de levar com a ladainha de influencer… E, sim, percebo o teu ponto. Tenho resistido a estar no instagram de forma pública porque exige algum trabalho e não tenho vagar neste momento, depois é essa contradição e a merda do preço: estou a mandar escarretas para o ar? Mas não sei, genuinamente custa-me pensar na ideia de agora ter de gravar e publicar nas redes um sketch qualquer para vender um produto.
Mais do que a designação da publicidade, mim espanta-me sobretudo a questão deontológica. Se calhar é preconceito meu, mas irrita-me muito mais a médica do que a psicóloga. Já que estamos a nomear, acho o caso da Margarida Graça Santos mais grave. A publicidade à Volvo ou ao Continente ainda é como o outro, mas à Dodot ou (especialmente) à ISDIN parecem-me graves porque é algo que ela pode "receitar" em consultas.
O perfil de ambas está precisamente assente nas suas profissões e na credibilidade que isso lhes confere. Não são propriamente pessoas que têm uma profissão e depois fazem uma perninha de influenciadoras noutra área, como um hobby que tenham. Por exemplo, eu sigo uma enfermeira que tem um perfil de influenciadora de moda. Sabe-se que ela é enfermeira, mas podia ser outra profissão qualquer porque o conteúdo (e a publicidade) são de moda, beleza e afins.
Concordo plenamente. A médica nunca tive interesse em seguir, mas eu sei que tenho mau feitio e quando toda a gente começa a elogiar alguém por ser muito boazinha, chega-me a mostarda ao nariz. Então nem estou tão a par, mas é gravíssimo. Elas alicerçam-se na credibilidade dada pela profissão e depois estão a passar pub, óbvio que as pessoas vão confiam. Enfim.
Ler isto logo após publicar uma #pub em parceria com um restaurante é muito cómico 😂
Concordo bastante com o que dizes, mas acrescentaria algumas coisas: há pubs que fazem sentido, sobretudo se estiver em concordância com o tipo de conteúdo que a pessoa cria. Pegando no meu exemplo, eu sempre gostei de visitar restaurantes e escrever sobre eles, cozinhar e experimentar receitas, tudo tirado do meu bolso. Se, por causa desse portefólio, tenho a possibilidade de fazer parcerias, porque não? Isso não me vai impedir de pagar por outras experiências, diria até que me incentiva a comprar/investir no que faz sentido para mim para rentabilizar certas experiências que faço do meu bolso. O mesmo com livros: há anos que leio e escrevo por prazer sobre as minhas leituras, se agora tenho a oportunidade de receber livros de editoras, porque haveria de recusar? (Dependendo dos valores das marcas, obviamente). Não faz sentido, principalmente sabendo de tudo o que fiz anteriormente. Sinto que é, em certa medida, merecido e um incentivo para continuar, mesmo que não seja a meta final. O prazer de o fazer importa tanto quanto isso. Tenho sempre o cuidado de espaçar os conteúdos destas parcerias, exatamente por saber que é saturante.
Todas estas parcerias seguem a lógica dos conteúdos que tenho vindo a criar; o que criticas (e bem) já é outro nível: pessoas que nunca partilharam a rotina de manicure, escrita etc e que, de repente, entopem-te de pubs. Isso é extremamente irritante. Até para mim. Principalmente, e como dizes, vindo de pessoas que podem pagar. A questão é que muitas vezes são as marcas a contactar estas pessoas, exatamente por elas terem um público que confia nelas e que, em certa medida, ajuda a promover a marca. É uma faca de dois gumes e longe de mim estar aqui a defender pessoas.
Em suma, acho que as parcerias/negócios devem respeitar os nossos valores e o nosso trabalho para fazer sentido. O problema é quando deixa de fazer sentido, tornando o perfil das redes digitais num jornal de anúncios. Isso dá muito no que pensar.
Obrigada, Carol! Claro que faz sentido haver certas parcerias de acordo com o conteúdo que cada pessoa publica - e parabéns pela tua!! O que não me faz sentido é teres uma pessoa que fica conhecida pelo grande público devido a uma área de trabalho, séria ainda por cima, e depois acabar como influencer. Além de que, sim, são as marcas a aproveitarem-se do público fiel destas pessoas. Enfim… olha, nem sei ahahah
Concordo plenamente. Leva, até, que as pessoas desses “nichos” (deteeeeesto esta palavra) percam oportunidades por haver aquele influencer ou criador de conteúdo com mais seguidores, mais números, mais “influência”. É revoltante!
Quanto ao pessoal de uma área que se torna influencier, acho que acaba por lhes retirar (ou acrescentar, sei lá) valor, sabes? Porque mediante a espécie da parceria, a imagem da pessoa pode ficar corrompida de certa maneira.
No caso da Tânia Graça, há muito que não vejo conteúdos dela, então não sei o que é feito do trabalho dela. Mas, se de facto, ela entrou no mundo das influências, diria que foi por dinheiro e nada mais, porque ela poderia perfeitamente continuar no universo da psicologia e fazer parcerias dentro dessa área sem comprometer a imagem que temos dela…. Mas são escolhas e cada um sabe de si, ainda que as consequências sejam grandes. Quando o dinheiro/estatuto fala mais alto, o problema começa.
Bom dia, Rafaela. A tua crónica toca num ponto que anda a incomodar muita gente: a sensação de que o Instagram se tornou um corredor infinito de anúncios disfarçados de vida. Há uma honestidade quase desconfortável na forma como a autora admite a inveja e o cansaço, o que dá força ao texto. O que mais sobressai é a frustração de ver profissionais competentes transformarem-se, pouco a pouco, em vitrines ambulantes. A repetição da #pub cria uma distância enorme — deixa de haver espontaneidade, tudo parece ensaiado. E quando até quem trabalha em áreas sérias entra no jogo das parcerias, percebe-se o quanto isto pode corroer a credibilidade. A crónica também mostra uma tristeza real: a internet, que já foi espaço de expressão, virou mercado de favores. No fundo, o texto é um desabafo que pede apenas um pouco mais de pudor, de critério, de respeito pelo público. E é difícil não sentir o mesmo cansaço quando tudo à volta parece publicidade com legenda.
Adorei que começas a tentar “proteger” a identidade da Tânia (ou assim me pareceu) e depois salta-te a tampa e dizes o nome 🤣 Mas olha, entendo-te. No caso dela acho que não faz sentido nenhum, mas também já há muito tempo que não me deslumbro com ela. Não acho que ela alguma vez tenha sido só psicóloga/sexóloga sinceramente. Por outro lado, não acho que se deva enfiar todos os influencers no mesmo saco. Um influencer é alguém que te influencie a fazer alguma coisa. Não é quem tenta influenciar, é quem consegue. E nesse sentido tantos influencers que eu conheço aqui no Substack, que já me fizeram gastar dezenas de euros em arte e livros.
Eu confesso que estava a rodear o assunto mas depois fartei-me de andar com paninhos quentes, sim, é dela que estou a falar e pronto, que se lixe! (Além de outros, enfim…) Em termos do seu conteúdo profissional, também há muito que deixou de me impressionar, acho tudo muito básico e bê-à-bá, mas tendo em contra o panorama do país e o público dela…….. enfim, é esse o nível em que estamos, infelizmente.
Ya, percebo o que dizes e concordo. Aliás, embirro à parva com o nome/conceito “influencer”, parece só uma palavra meio finória para “pessoa que faz publicidade profissionalmente”. Um verdadeiro influencer, como dizes e bem, é alguém que nos faz procurar alguma coisa por recomendação. Não é estar no instagram a ver ainda mais anúncios 😭
Tenho que concordar. Também já não aguento a #pub ! Deixei de seguir muitas “girlies” porque de facto acho que cheguei ao ponto de saturação que falas, parece que estou a ver anúncios de tv ou televendas! 🫠
Eu não me considero influencer 🥲 mas não posso deixar de dizer, que recebo livros de editoras e gosto de criar conteúdo sobre eles, seria hipócrita se dissesse o contrário. No entanto, já não consigo consumir muito conteúdo demasiado “show” ou de hauls, unboxing, não me cativa, nem que seja relacionado com livros…
No fundo acho que andamos todos fartos da quantidade de informação que nos chega pelas redes sociais, e estamos cada vez mais a filtrar o que vemos e isso até nem é mau, porque nos faz desconectar um pouco das redes e não ter tanto tempo de ecrã.
Acho que entretanto isto alastrará e será perceptível pelas marcas (espero eu) e encontrem outras formas de comunicar, que não sejam tão agressivas e tão “fake” como atualmente parecem todos os stories e publicações de #pub.
It’s ok receber coisas das marcas e fazer conteúdo sobre isso, principalmente no teu caso com os livros. É normal, as marcas fazem isto desde sempre, mandavam coisas grátis para as famosas usarem e fazerem pub acidental. A mim irrita-me mesmo é que a carreira destas pessoas é só fazer publicidades… Não têm mais nada a acrescentar? Epa… Tornam-se em televendas humanas, faz-me confusão.
Je suis d'accord! Também não tenho paciência nenhuma para as #pubs. Confesso que, no meu caso, o que me irrita mesmo é que eles já são pessoas que ganham bem e depois nunca pagam nada porque #pub e o zé povinho, como sempre, é que paga. Muitas das vezes são coisas/serviços caros (não vi todos, vi alguns, por isso, vou considerar esta afirmação um achsimo). Para eles é indiferente o preço, já que, para eles, teve um custo de 0€. Outra coisa que me irrita na #pub é que nunca é um conteúdo útil ou informativo, é sempre uma story da piça a dizer "gostei muito, são muito simpáticos e acessíveis" lol claro, para ti, são isso tudo mais um par de botas. Ou como também mencionaste quando fazem stories para mostrar que são "gente como a gente" e depois é tudo corrido a ajudas da #pub
Enfim, tanta coisa me irrita neste tópico...
Isto tornou-se mesmo uma praga, são televendas….. é um absurdo, eles são claramente usados pelas marcas para serem spots publicitários, mas como recebem umas borlas, as pessoas deixam-se levar!!!!
Tenho um texto a marinar sobre este tema também!
Curiosamente a propósito também de uma pessoa que referes!
Acho que na verdade andamos todos cansados deste capitalismo que nos entra constantemente pelos olhos adentro.
Mas o poder de não ver continua nas nossas mãos!
Por favor, escreve!!! Sim, isto é mesmo capitalismo de último estágio, estamos todos a acusar saturação.
Creio que não há outra forma de o dizer - isto está entre uma praga e a transformação voluntária do ser humano num mupi publicitário.
A praga vem da trend de marketing que varre quase todas as marcas e que diz que o recurso a influencers é o caminho certo para a autenticidade, 'people centric' cenas e o vencer da resistência natural do público a canais de conteúdo publicitário puro e duro. E o grande problema das marcas, sejam gigantes ou o Zé Carlos Ninja dos Esgotos, é que em muitos casos só olham para o seu universo e não percebem o contexto (ou encolhem os ombros e siga) que o seu conteúdo é um múltiplo dos milhares que gravitam em sequência, ou seja, byebye autenticidade, e olá 'one minute here, next minute gone'. Poucas coisas ficam na cabeça porque não há grande criatividade, não há narrativas realmente diferenciadoras e, especialmente no TikTok, em que a presença de marcas é sempre muito mais dependente do criador de conteúdo, limitamo-nos a ver uma repetição por volume - o que torna a coisa mais irritante - dez pessoas lembram-se que aquele pão é que é, aquele creme é que é, aquela toalha é que é, tudo ao mesmo tempo.
Já a transformação da pessoa em mupi/outdoor humano é que me entristece um pouco mais, porque em certos casos até percebo que um influencer residual (ou wannabe) aceite ofertas ou produza conteúdo de parceria mais ou menos duvidosa, possivelmente pensando que é melhor aproveitar enquanto há. Mas em muitos casos, tens pessoas com alguma presença, alguma voz, que teoricamente já têm algum poder para recusar parcerias que não o beneficiem e, simplesmente, não o fazem. Não sei se têm agenciamento ou não, mas como dizes, será que pagar um electricista, uma manicure, um bikini, o que seja, é isso que vai fazer a diferença?
Será que essas pessoas não percebem que diluem a sua voz e a sua independência (mesmo que achem que não) ao se tornarem numa espécie de intervalo publicitário? Que podes dizer que sim a uma marca na tua esfera de influência, se for uma parceria que te eleve a ti e não apenas à marca, que faz um check no 'cromo' que já tem na caderneta?
Nunca foi fácil encontrar gente em Portugal capaz de resistir a sampling gratuito, mesmo que seja mau. Isto é só uma espécie de sucedâneo de social media.
#rantover vou abraçar pingos de chuva.
Ahahahahah concordo em absoluto com tudo!
Concordo a 100% contigo, e sendo um pouco advogado do diabo, partilho a minha solução: deixar de seguir e acompanhar esse tipo de criadores. Já não suporto influencers e essa malta que me faz perguntar "mas quem é essa mesmo?". Decidi usar o Instagram para seguir pessoas que conheço (amigos, colegas, mesmo aquela pessoa que não vejo desde o secundário, mas somehow acho interessante ver o que anda a fazer), ou contas que me dizem algo (artistas, ou mesmo influencers da área de desporto, saúde e bem-estar e que reconheço que partilham conteúdo de valor).
Ao mesmo tempo vivo esse dilema de querer partilhar coisas minhas e talvez ter um pequeno rendimento extra online, mas pensar que tenho de viver para o Instagram esgota-me antes de iniciar. Talvez haja um equilibrio que não encontrei ahah
Sim, eu não sigo quase ninguém desse género; tal como disse, chateia-me mais eu seguir pessoas pelo trabalho delas e depois ter de levar com a ladainha de influencer… E, sim, percebo o teu ponto. Tenho resistido a estar no instagram de forma pública porque exige algum trabalho e não tenho vagar neste momento, depois é essa contradição e a merda do preço: estou a mandar escarretas para o ar? Mas não sei, genuinamente custa-me pensar na ideia de agora ter de gravar e publicar nas redes um sketch qualquer para vender um produto.
Mais do que a designação da publicidade, mim espanta-me sobretudo a questão deontológica. Se calhar é preconceito meu, mas irrita-me muito mais a médica do que a psicóloga. Já que estamos a nomear, acho o caso da Margarida Graça Santos mais grave. A publicidade à Volvo ou ao Continente ainda é como o outro, mas à Dodot ou (especialmente) à ISDIN parecem-me graves porque é algo que ela pode "receitar" em consultas.
O perfil de ambas está precisamente assente nas suas profissões e na credibilidade que isso lhes confere. Não são propriamente pessoas que têm uma profissão e depois fazem uma perninha de influenciadoras noutra área, como um hobby que tenham. Por exemplo, eu sigo uma enfermeira que tem um perfil de influenciadora de moda. Sabe-se que ela é enfermeira, mas podia ser outra profissão qualquer porque o conteúdo (e a publicidade) são de moda, beleza e afins.
Concordo plenamente. A médica nunca tive interesse em seguir, mas eu sei que tenho mau feitio e quando toda a gente começa a elogiar alguém por ser muito boazinha, chega-me a mostarda ao nariz. Então nem estou tão a par, mas é gravíssimo. Elas alicerçam-se na credibilidade dada pela profissão e depois estão a passar pub, óbvio que as pessoas vão confiam. Enfim.
Como eu concordo plenamente!
Ler isto logo após publicar uma #pub em parceria com um restaurante é muito cómico 😂
Concordo bastante com o que dizes, mas acrescentaria algumas coisas: há pubs que fazem sentido, sobretudo se estiver em concordância com o tipo de conteúdo que a pessoa cria. Pegando no meu exemplo, eu sempre gostei de visitar restaurantes e escrever sobre eles, cozinhar e experimentar receitas, tudo tirado do meu bolso. Se, por causa desse portefólio, tenho a possibilidade de fazer parcerias, porque não? Isso não me vai impedir de pagar por outras experiências, diria até que me incentiva a comprar/investir no que faz sentido para mim para rentabilizar certas experiências que faço do meu bolso. O mesmo com livros: há anos que leio e escrevo por prazer sobre as minhas leituras, se agora tenho a oportunidade de receber livros de editoras, porque haveria de recusar? (Dependendo dos valores das marcas, obviamente). Não faz sentido, principalmente sabendo de tudo o que fiz anteriormente. Sinto que é, em certa medida, merecido e um incentivo para continuar, mesmo que não seja a meta final. O prazer de o fazer importa tanto quanto isso. Tenho sempre o cuidado de espaçar os conteúdos destas parcerias, exatamente por saber que é saturante.
Todas estas parcerias seguem a lógica dos conteúdos que tenho vindo a criar; o que criticas (e bem) já é outro nível: pessoas que nunca partilharam a rotina de manicure, escrita etc e que, de repente, entopem-te de pubs. Isso é extremamente irritante. Até para mim. Principalmente, e como dizes, vindo de pessoas que podem pagar. A questão é que muitas vezes são as marcas a contactar estas pessoas, exatamente por elas terem um público que confia nelas e que, em certa medida, ajuda a promover a marca. É uma faca de dois gumes e longe de mim estar aqui a defender pessoas.
Em suma, acho que as parcerias/negócios devem respeitar os nossos valores e o nosso trabalho para fazer sentido. O problema é quando deixa de fazer sentido, tornando o perfil das redes digitais num jornal de anúncios. Isso dá muito no que pensar.
Excelente ensaio, como sempre!
É um gosto ler-te!
Obrigada, Carol! Claro que faz sentido haver certas parcerias de acordo com o conteúdo que cada pessoa publica - e parabéns pela tua!! O que não me faz sentido é teres uma pessoa que fica conhecida pelo grande público devido a uma área de trabalho, séria ainda por cima, e depois acabar como influencer. Além de que, sim, são as marcas a aproveitarem-se do público fiel destas pessoas. Enfim… olha, nem sei ahahah
Concordo plenamente. Leva, até, que as pessoas desses “nichos” (deteeeeesto esta palavra) percam oportunidades por haver aquele influencer ou criador de conteúdo com mais seguidores, mais números, mais “influência”. É revoltante!
Quanto ao pessoal de uma área que se torna influencier, acho que acaba por lhes retirar (ou acrescentar, sei lá) valor, sabes? Porque mediante a espécie da parceria, a imagem da pessoa pode ficar corrompida de certa maneira.
No caso da Tânia Graça, há muito que não vejo conteúdos dela, então não sei o que é feito do trabalho dela. Mas, se de facto, ela entrou no mundo das influências, diria que foi por dinheiro e nada mais, porque ela poderia perfeitamente continuar no universo da psicologia e fazer parcerias dentro dessa área sem comprometer a imagem que temos dela…. Mas são escolhas e cada um sabe de si, ainda que as consequências sejam grandes. Quando o dinheiro/estatuto fala mais alto, o problema começa.
Bom dia, Rafaela. A tua crónica toca num ponto que anda a incomodar muita gente: a sensação de que o Instagram se tornou um corredor infinito de anúncios disfarçados de vida. Há uma honestidade quase desconfortável na forma como a autora admite a inveja e o cansaço, o que dá força ao texto. O que mais sobressai é a frustração de ver profissionais competentes transformarem-se, pouco a pouco, em vitrines ambulantes. A repetição da #pub cria uma distância enorme — deixa de haver espontaneidade, tudo parece ensaiado. E quando até quem trabalha em áreas sérias entra no jogo das parcerias, percebe-se o quanto isto pode corroer a credibilidade. A crónica também mostra uma tristeza real: a internet, que já foi espaço de expressão, virou mercado de favores. No fundo, o texto é um desabafo que pede apenas um pouco mais de pudor, de critério, de respeito pelo público. E é difícil não sentir o mesmo cansaço quando tudo à volta parece publicidade com legenda.