Janeiro: uma review
Acabou o mês mais comprido do ano. Fica aqui um apanhado do que foi, o que fiz, o que vi, o que li...
Pronto, já está. O mês mais comprido do ano, que parece que não passa e tem 57 dias, já acabou. Vou deixar um fun fact curioso: há uma explicação astrológica para o facto de Janeiro nos parecer tão lento: é o mês em que vivemos as temporadas de Capricórnio e Aquário, os dois signos regidos por Saturno, o planeta responsável pelo tempo (e por fazer as coisas levarem tempo a acontecer).
De um ponto de vista mais sociológico (?), Janeiro é o mês que sucede às festas e à correria de Dezembro. Com mais ou menos jantares de Natal, planos para as festividades, e ansiedade familiar, acabamos o ano sem energia para nada e o mês seguinte, bombardeado com a energia do Ano Novo Vida Nova, não ajuda.
Aliás, é curioso associarmos o mês de Janeiro a tudo novo: ele é começar a ir ao ginásio e mudar de dieta, ele é aprender novos hobbies, implementar novos hábitos, you name it. Mas se olharmos à nossa volta, para os ciclos naturais, Janeiro é no Inverno (no hemisfério norte) e o Inverno não serve para nada disso. Foi assim que encontrei este ano o conceito de Wintering: tal como as árvores nuas que se estão em recolhimento a ganhar força para a Primavera, também os seres humanos deveriam abrandar o seu ritmo e focar-se em descansar e nutrir o seu corpo. É claro que estás absurdamente cansado por ires ao ginásio às sete da manhã de Janeiro… é Janeiro!!
E o mesmo se pode dizer de outros hobbies. É claro que não queres sair depois do almoço de domingo e ir para a esplanada sozinha, Rafaela, é Janeiro! Fica em casa sossegada a ver YouTube e a fazer crochet porque é o que realmente queres fazer! E fiz!
Também fiz outras coisas que me deixaram muito feliz. Logo no primeiro domingo tive planos com uma amiga e pude, sem querer, pôr em prática 3 objectivos de 2024: conhecer sítios novos (fomos ao Convento dos Capuchos, em Sintra), estar mais com os meus amigos (não a via há uns dois anos e ainda pude conhecer a sua amada) e fotografar com máquina (tirei-lhes uma fotografia com uma máquina fotográfica - de rolo!!).
Neste mês aproveitei para desmanchar o cós de uma camisola que tinha feito e refiz com uns acertos que inventei para assentar melhor na cintura, comecei um cachecol só para aproveitar um novelo solitário que tinha cá por casa e ainda voltei às aulas de costura. Descobri uma costureira que tem aulas online e voltei a entusiasmar-me com a ideia de fazer as minhas roupas.
Não posso esquecer que foi em Janeiro que comecei a escrever-nos aqui no substack e estou a ter uma agradável surpresa com esta plataforma, que me está a trazer de volta aquele quentinho de blogosfera que julgava perdido.
De um modo geral, foi um mês feliz, tirando uma ou outra peripécia, como a minha jornada de 48h no Bumble que me fez amaldiçoar a minha vida (um dia conto-vos melhor), ou o futebol lento e aborrecido do Benfica que me está a tirar do sério.
No entanto, há muita coisa que ainda não fiz e quero começar, antes que me esqueça e entre na correria dos meses em modo automático. Ajuda muito termos algo porque ansiar, portanto aqui fica um cheirinho de planos que tenho para o futuro próximo:
esta sexta-feira já tenho planos para ir ver mais um show de burlesco 💃🏻💋
vou ver o solo do Pedrito ao Barreiro, já que achei os bilhetes do Campo Pequeno muito caros (comprei 3 no Natal, para mim e para as minhas companhias)
estou a pensar, em Março, ir ver esta peça que me pareceu interessante aqui no teatro municipal
ver o Conto de Inverno, do Éric Rohmer, pois achei que seria engraçado ver cada um dos seus filmes-contos nas respectivas estações (já vi o Conto de Verão e o de Outono)
quero começar o curso de iniciação à máquina de costura da Filipa Castilho
ainda não comecei o meu common place book, um conceito que descobri no início do ano e achei tão divertido
E agora deixo-vos aqui de rajada com coisas que vi, li e ouvi neste mês, pelo menos das que me lembro (não aponto os filmes que vejo e depois acabo a esquecer-me deles).
Livros
Foi um começo muito forte em termos de leituras, acabei um que trazia de 2023 e, depois desse, já li outros três livros. Vou poupar-vos a grandes reviews, pois já escrevo bastante no Goodreads.




Sei Porque Canta O Pássaro Na Gaiola, Maya Angelou ⭐⭐⭐⭐⭐
A Natureza da Mordida, da Carla Madeira ⭐⭐⭐⭐⭐
Cartas na Mesa, da Agatha Christie ⭐⭐⭐⭐
Klara e o Sol, de Kazuo Ishiguro ⭐⭐
Séries
Não vi muita coisa, mas vi boa. Além da Carol, cuja review vos trouxe a semana passada, vi Shrinking e a série documental Love Has Won. Nos entretantos, tenho sempre as minhas Golden Girls a fazerem-me companhia.



Shrinking: gostei de rever o querido Marshall neste novo projecto. Nesta série, o Jason Segel interpreta um psico-terapeuta que, cansado da impotência que sente perante os seus pacientes, decide dar conselhos directos e intervir na vida destes, enquanto ele próprio lida com o luto pela sua falecida mulher e por resgatar a relação com a filha adolescente. O resultado é uma série muito bem escrita, wholesome, com personagens fantásticas. Recomendo! Na AppleTV (vi num sítio alternativo).
Love Has Won: adoro documentários sobre cultos. Aqui vemos a história de Amy Carlson, uma mulher que abandonou a família para viver uma vida de hippie shanti a tempo inteiro. Reuniu uma comunidade de outros chalupas que levavam a sério o que ela dizia, já que esta estava convencida que era a Deusa na Terra. O perturbador, além de ver esta mulher definhar a olhos vistos devido a doenças graves não tratadas, foi que conservaram o corpo de Amy já mumificado. Na HBO.
Golden Girls: ninguém me faz rir como estas mulheres. As minhas avozinhas <3
Filmes





Artemisia: A Filmin tem uma selecção de documentários sobre vários pintores e eu adoro história de arte, então vi este da Artemisia e fiquei a conhecer melhor a história de vida desta pintora.
Barbie: Opa, não ameeeeiiiiiii, mas foi um filme engraçado e que cumpriu o seu propósito: entreter-me num domingo à tarde. O cenário das Barbies é, de facto, deslumbrante. HBO.
Bottoms: Este sim, foi uma agradável surpresa. Filme super divertido, engraçado e despretensioso. Numa altura em que os filmes actuais parecem todos um bocado meh, este Bottoms fez-me sentir que estava a ver um filme dos anos 2000. Prime.
Segundas Para Sempre: Imaginem estarem sempre a repetir a mesma semana em loop, a fazer as mesmas coisas e a resolver os mesmos problemas. É assim que entramos neste filme, com uma premissa tosca e cómica, e acabamos a perceber que vamos repetir os nossos dias até termos a coragem de arriscar e fazer o que realmente queremos fazer. Na Filmin.
Regresso a Seoul: Este filme acompanha a jornada de uma rapariga adoptada que, numa viagem à Coreia do Sul, tenta reencontrar a sua família biológica. É um filme bonito sobre identidade e abandono, que é desafiante para o espectador pois há momentos em que a protagonista perde a nossa empatia e temos de nos esforçar para compreender o seu lado. Também na Filmin.
Podcasts
Costumo ouvir o Voz de Cama e comecei a seguir outros podcasts mais ou menos sobre a mesma temática do universo das relações. Mas andava aborrecida, não me apetecia ouvir acerca disso, e outro podcast que eu seguia terminou. Foi assim que finalmente me pus a ouvir os Falsos Lentos, o podcast de futebol (mais ou menos) com o Diogo Batáguas, o Carlos Coutinho Vilhena e o Manuel Cardoso. A conversa sobre bola propriamente dia não é muita, mas os três complementam-se numa dinâmica engraçada. Rio-me muito com eles.
E pronto, é isto. Eita, e-mail longo…….. Obrigada a todos vocês desse lado, aos que já me conhecem e aos que têm chegado de novo. Estou muito contente por me desafiar a escrever todas as semanas e por ter alguém que goste de me ler.
Um bom Fevereiro a todos!
Rafaela




