Adorei este teu texto e não podia estar mais de acordo, mas deixa-me fazer uma adenda com conhecimento de causa: o Time Out Market nasceu em 2014 para resolver um problema, que era a revista Time Out Lisboa ser um franchise da Time Out Londres e portanto precisar de maneiras de sobreviver para além da publicidade na revista. Quando nasceu, o TOM servia para financiar o jornalismo, foi essa a ideia do editor da revista na altura. Mas os ingleses acharam o conceito tão giro que compraram a revista e o mercado (que passaram de franchise e ideia original a subsidiárias, para que os ingleses pudessem replicar os mercados no mundo; agora há Time Out Markets em montes de países). Infelizmente, o TOM passou a ser um negócio por si e não uma forma de financiar as revistas, razão porque agora não há Time Outs em papel como já houve e é praticamente tudo online. Não deixa de ter sido uma ideia troikacore, mas não como a descreves: foi uma forma de poder ter dinheiro para manter a revista e, no fundo, o emprego aos jornalistas que lá trabalhavam.
Obrigada pelo teu input, admito que não fazia ideia (claramente). Fui lendo o teu comentário com agrado e depois acabei triste na mesma. Nem quando as ideias têm um bom propósito (no caso, financiar a revista e o trabalho dos jornalistas), estas escapam às garras da ganância. Fico triste de saber isso, que acabaram por comprar a ideia e destituí-la do seu propósito… Enfim. Aqui no contexto do que escrevi, foi mais por ir na linha daquele pensamento “reaproveitar espaços” que achei muito específico desta época ahahah
A maior parte das pessoas não sabe como nasceu o mercado e porquê mas eu gosto de contar a história porque acho que foi uma ideia genial com um propósito muito nobre. Quando empresas pequena são absorvidas por grandes marcas, como aconteceu, tudo muda. É saber lidar. Acho que as equipas portuguesas fazem o melhor que podem com o free range que têm.
Odeio esta história recorrente de "empresa grande compra empresa pequena por muito dinheiro, para depois a fechar / tornar irreconhecível ao fim de alguns anos" :(
Completamente. Sabes, fui procurar um ficheiro onde tinha umas notas sobre esta ideia do troikacore e tinha lá o link para o teu texto da mesmificação das cidades, porque isto está a acontecer com tudo: empresas, cidades, aplicações, etc. Ou há um grande que compra os pequeninos, ou os "novos" são sempre iguais.
Obrigada, Inês! Eu percebo, quando estive na parte da pesquisa fiquei abismada com os absurdos que ouvimos dos nossos governantes, por exemplo. Que tempos negros. Parte 2 propriamente dita não sei, mas precisei de escrever este texto agora porque tenho outra coisa em mente que vai buscar o troikacore, e mais não digo eheheh 🤭
Gostei tanto que partilhei no meu Instagram. A memória é traiçoeira, mas lembro-me do desespero que se sentiu nessa época. Dos recibos verdes e dos contratos de trabalho precários, com sucessivas renovações sem possibilidade de passar a contrato sem termo. Os bancos não emprestavam dinheiro, as pessoas foram sendo despejadas por não pagar o crédito habitação, o crédito mal parado porque as casas não se vendiam e os bancos não reaviam o dinheiro. Nessa altura fiquei desempregada. Não recebia subsídio de desemprego porque trabalhava a recibos verdes. O IEPF dizia que não tinha trabalho para a minha formação. Aguentei-me das parcas poupanças que fiz e graças ao meu marido que me sustentou durante esses tempos, mesmo que na altura o nosso compromisso não o vinculasse a isso.
E a falta de perspectiva para o futuro. Era como se nos obrigassem a ficar para trás. Foi muito duro. Mas sinto que não foi o pior. O pior ainda está para vir...
Meu Deus, já fui para ao Instagram!! Obrigada por teres gostado e partilhado, e agradeço-te igualmente o teu testemunho. Sim, foram anos negros. Eu andava na escola, portanto vivi a Troika entre o secundário e a faculdade. Felizmente passei ao lado de certas dificuldades mais “adultas” mas estava na idade formativa da minha noção de política e fui estando atenta. Era mesmo um clima de desespero que se vivia.
Concordo contigo, o pior está por vir. Infelizmente, ao contrário do tempo da Troika, agora vivemos debaixo de uma capa ilusória de que Portugal “está bem” e que a “economia está a crescer” (há um texto de um substack muito bom sobre isto, não sei se o guardei…), fruto da especulação imobiliária e de sermos os queridinhos dos nómadas digitais. Depois, a população que, de facto, trabalha cá, vive na miséria. A crise na habitação, por exemplo, é o maior desastre do nosso tempo, na minha opinião. Veremos o que ainda temos por viver…
Eu não sou mega entendida neste assunto porque, como sabes, sou politicamente instruída há pouco tempo, mas adorei o texto. Dá vontade para continuar a ler e saber o que tens mais para dizer sobre o assunto, com humor muito perspicaz. Parabéns pelo texto. Adorei!
Bem tinha 11 anos na altura da troika, a mesma altura em que descobri os one direction, por isso não sabia muito sobre este período para além do “PPC=mau, tirou-nos os feriados”. Tive que fazer uma breve pausa e processar quando li que o salário mínimo era de 400€!!!!??
Olha, melhor assim porque eu apanhei a troika quando me comecei a interessar por política, então foi um desgaste emocional do caraças... Ao menos com 11 anos ouvias os teus one direction e seguias feliz ahahahahah
Sim, sim... O ordenado mínimo era baixíssimo. Em 2011, quando chegou a troika, eram uns míseros 485€ e foi uma luta do caraças para que chegasse aos 500€. QUINHENTOS EUROS!!! E só se conseguiu isso em 2015!!! Foi com a querida e saudosa Geringonça que tivemos o maior aumento do salário mínimo dos últimos anos. Mas como estamos a voltar à direita, temo por mais anos de estagnação. Fico incrédula como, em pleno 2025, um país desenvolvido da União Europeia nem assegura um salário mínimo de 1000€, principalmente tendo em conta o panorama económico actual em Portugal...
Que viagem no tempo. Estou onde estou também devido a tudo isto que escreveste. Não que tenha emigrado por ser cool vive numa capital europeia, até emigrei para um pais africanos. Mas a minha vida mudou totalmente devido a esse evento histórico. Geração à rasca, uma vez, geração à rasca para sempre. Não há volta a dar. É por isso também que, por exemploz as políticas de habitação públicas que têm a intenção ajudar os jovens (abastados) parecem ser tremendamente injustas para essa geração que está agora acima dos 35 anos. Só um reparo, em Março de 2011, o Governo apresentou o PEC IV, e já a concordância da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu, o que: ou não seria necessário o resgate ou o iria adiar. Hoje sabemos que o Sócrates era um charlatão. Acredito que foram os tempos mais negros economicamente da minha vida, mas hoje, por outros motivos mais ideológicos, não deixa de ser um tempo igualmente desafiante.
Obrigada pelo teu comentário e testemunho. Por acaso o país africano para onde emigraste foi Angola? Digo isto porque "Angola" também é muito Troikacore, se estás recordado ahahah era para ter mencionado mas o texto não deu para tudo.
Percebo o teu sentimento de injustiça. Eu tenho 30 anos mas para mim essas medidas não ajudam em nada, como dizes e bem, só ajudam os jovens que são abastados. Infelizmente este país aprendeu muito pouco e agora vamos lá ver o que é que os tempos nos reservam...
Já li este texto montes de vezes. Adoro a parte de namorar a gentrificação. Só espero poder daqui a dez anos ler outro texto assim, analítico, incisivo e engraçado, sobre os negros tempos que vivemos hoje.
Opaaaa <333 fico muito feliz por saber isto! Obrigada :) Vamos ver, vamos ver! Certamente que também há coisas típicas deste tempo, mas vamos dar mais um tempinho eheheh
Acordar da sesta e ler este artigo, com um pingo de horror pela facilidade com que as coisas descambam devido à má gestão de uns quantos gatos pingados que se acham muito úteis para representar um país. Uma parte dois desta coletânea seria tão interessante! És genial, Rafela!
Opaaaaa obrigada, a sério! 🥺🥺 Talvez pense na hipótese de fazer uma parte 2, já que houve outros pormenores mt parvos deste período de tempo que eu deixei de fora por não conseguir encaixar no texto ahahah
Adorei este teu texto e não podia estar mais de acordo, mas deixa-me fazer uma adenda com conhecimento de causa: o Time Out Market nasceu em 2014 para resolver um problema, que era a revista Time Out Lisboa ser um franchise da Time Out Londres e portanto precisar de maneiras de sobreviver para além da publicidade na revista. Quando nasceu, o TOM servia para financiar o jornalismo, foi essa a ideia do editor da revista na altura. Mas os ingleses acharam o conceito tão giro que compraram a revista e o mercado (que passaram de franchise e ideia original a subsidiárias, para que os ingleses pudessem replicar os mercados no mundo; agora há Time Out Markets em montes de países). Infelizmente, o TOM passou a ser um negócio por si e não uma forma de financiar as revistas, razão porque agora não há Time Outs em papel como já houve e é praticamente tudo online. Não deixa de ter sido uma ideia troikacore, mas não como a descreves: foi uma forma de poder ter dinheiro para manter a revista e, no fundo, o emprego aos jornalistas que lá trabalhavam.
Obrigada pelo teu input, admito que não fazia ideia (claramente). Fui lendo o teu comentário com agrado e depois acabei triste na mesma. Nem quando as ideias têm um bom propósito (no caso, financiar a revista e o trabalho dos jornalistas), estas escapam às garras da ganância. Fico triste de saber isso, que acabaram por comprar a ideia e destituí-la do seu propósito… Enfim. Aqui no contexto do que escrevi, foi mais por ir na linha daquele pensamento “reaproveitar espaços” que achei muito específico desta época ahahah
A maior parte das pessoas não sabe como nasceu o mercado e porquê mas eu gosto de contar a história porque acho que foi uma ideia genial com um propósito muito nobre. Quando empresas pequena são absorvidas por grandes marcas, como aconteceu, tudo muda. É saber lidar. Acho que as equipas portuguesas fazem o melhor que podem com o free range que têm.
Sem dúvida, gostei muito de conhecer a história. E sim, nós em Portugal por alguma razão somos mt bons a desenrascar omeletes sem ovos ahahah
Odeio esta história recorrente de "empresa grande compra empresa pequena por muito dinheiro, para depois a fechar / tornar irreconhecível ao fim de alguns anos" :(
Completamente. Sabes, fui procurar um ficheiro onde tinha umas notas sobre esta ideia do troikacore e tinha lá o link para o teu texto da mesmificação das cidades, porque isto está a acontecer com tudo: empresas, cidades, aplicações, etc. Ou há um grande que compra os pequeninos, ou os "novos" são sempre iguais.
Este post deu-me PTSD.
Há aqui coisas em que nunca tinha pensado, nomeadamente como o momento que estávamos a passar se infiltrou nas novelas do prime-time.
Gostei muito e até gostava de ver uma parte 2 (não sei se tens material, mas se tiveres não hesites!).
Obrigada, Inês! Eu percebo, quando estive na parte da pesquisa fiquei abismada com os absurdos que ouvimos dos nossos governantes, por exemplo. Que tempos negros. Parte 2 propriamente dita não sei, mas precisei de escrever este texto agora porque tenho outra coisa em mente que vai buscar o troikacore, e mais não digo eheheh 🤭
Gostei tanto que partilhei no meu Instagram. A memória é traiçoeira, mas lembro-me do desespero que se sentiu nessa época. Dos recibos verdes e dos contratos de trabalho precários, com sucessivas renovações sem possibilidade de passar a contrato sem termo. Os bancos não emprestavam dinheiro, as pessoas foram sendo despejadas por não pagar o crédito habitação, o crédito mal parado porque as casas não se vendiam e os bancos não reaviam o dinheiro. Nessa altura fiquei desempregada. Não recebia subsídio de desemprego porque trabalhava a recibos verdes. O IEPF dizia que não tinha trabalho para a minha formação. Aguentei-me das parcas poupanças que fiz e graças ao meu marido que me sustentou durante esses tempos, mesmo que na altura o nosso compromisso não o vinculasse a isso.
E a falta de perspectiva para o futuro. Era como se nos obrigassem a ficar para trás. Foi muito duro. Mas sinto que não foi o pior. O pior ainda está para vir...
Meu Deus, já fui para ao Instagram!! Obrigada por teres gostado e partilhado, e agradeço-te igualmente o teu testemunho. Sim, foram anos negros. Eu andava na escola, portanto vivi a Troika entre o secundário e a faculdade. Felizmente passei ao lado de certas dificuldades mais “adultas” mas estava na idade formativa da minha noção de política e fui estando atenta. Era mesmo um clima de desespero que se vivia.
Concordo contigo, o pior está por vir. Infelizmente, ao contrário do tempo da Troika, agora vivemos debaixo de uma capa ilusória de que Portugal “está bem” e que a “economia está a crescer” (há um texto de um substack muito bom sobre isto, não sei se o guardei…), fruto da especulação imobiliária e de sermos os queridinhos dos nómadas digitais. Depois, a população que, de facto, trabalha cá, vive na miséria. A crise na habitação, por exemplo, é o maior desastre do nosso tempo, na minha opinião. Veremos o que ainda temos por viver…
Eu não sou mega entendida neste assunto porque, como sabes, sou politicamente instruída há pouco tempo, mas adorei o texto. Dá vontade para continuar a ler e saber o que tens mais para dizer sobre o assunto, com humor muito perspicaz. Parabéns pelo texto. Adorei!
Bem tinha 11 anos na altura da troika, a mesma altura em que descobri os one direction, por isso não sabia muito sobre este período para além do “PPC=mau, tirou-nos os feriados”. Tive que fazer uma breve pausa e processar quando li que o salário mínimo era de 400€!!!!??
Olha, melhor assim porque eu apanhei a troika quando me comecei a interessar por política, então foi um desgaste emocional do caraças... Ao menos com 11 anos ouvias os teus one direction e seguias feliz ahahahahah
Sim, sim... O ordenado mínimo era baixíssimo. Em 2011, quando chegou a troika, eram uns míseros 485€ e foi uma luta do caraças para que chegasse aos 500€. QUINHENTOS EUROS!!! E só se conseguiu isso em 2015!!! Foi com a querida e saudosa Geringonça que tivemos o maior aumento do salário mínimo dos últimos anos. Mas como estamos a voltar à direita, temo por mais anos de estagnação. Fico incrédula como, em pleno 2025, um país desenvolvido da União Europeia nem assegura um salário mínimo de 1000€, principalmente tendo em conta o panorama económico actual em Portugal...
Que viagem no tempo. Estou onde estou também devido a tudo isto que escreveste. Não que tenha emigrado por ser cool vive numa capital europeia, até emigrei para um pais africanos. Mas a minha vida mudou totalmente devido a esse evento histórico. Geração à rasca, uma vez, geração à rasca para sempre. Não há volta a dar. É por isso também que, por exemploz as políticas de habitação públicas que têm a intenção ajudar os jovens (abastados) parecem ser tremendamente injustas para essa geração que está agora acima dos 35 anos. Só um reparo, em Março de 2011, o Governo apresentou o PEC IV, e já a concordância da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu, o que: ou não seria necessário o resgate ou o iria adiar. Hoje sabemos que o Sócrates era um charlatão. Acredito que foram os tempos mais negros economicamente da minha vida, mas hoje, por outros motivos mais ideológicos, não deixa de ser um tempo igualmente desafiante.
Obrigada pelo teu comentário e testemunho. Por acaso o país africano para onde emigraste foi Angola? Digo isto porque "Angola" também é muito Troikacore, se estás recordado ahahah era para ter mencionado mas o texto não deu para tudo.
Percebo o teu sentimento de injustiça. Eu tenho 30 anos mas para mim essas medidas não ajudam em nada, como dizes e bem, só ajudam os jovens que são abastados. Infelizmente este país aprendeu muito pouco e agora vamos lá ver o que é que os tempos nos reservam...
Moçambique.
Desculpa as gralhas, escrever no telemóvel...
Já li este texto montes de vezes. Adoro a parte de namorar a gentrificação. Só espero poder daqui a dez anos ler outro texto assim, analítico, incisivo e engraçado, sobre os negros tempos que vivemos hoje.
Opaaaa <333 fico muito feliz por saber isto! Obrigada :) Vamos ver, vamos ver! Certamente que também há coisas típicas deste tempo, mas vamos dar mais um tempinho eheheh
Este texto está só incrível. Parabéns
Opa!!! Muito obrigada, Raquel! 🥹
Nunca tinha pensado nisto desta forma, mas estás 100% correcta. Que maravilha e que tristeza ao mesmo tempo.
É mesmo... o pior, para mim, é esta sensação de que está a voltar...
Acordar da sesta e ler este artigo, com um pingo de horror pela facilidade com que as coisas descambam devido à má gestão de uns quantos gatos pingados que se acham muito úteis para representar um país. Uma parte dois desta coletânea seria tão interessante! És genial, Rafela!
Opaaaaa obrigada, a sério! 🥺🥺 Talvez pense na hipótese de fazer uma parte 2, já que houve outros pormenores mt parvos deste período de tempo que eu deixei de fora por não conseguir encaixar no texto ahahah