20 livros lidos
Pequena análise às minhas leituras do ano.

Alcancei o meu objectivo de leitura do Goodreads. 20 livros. É muito, é pouco? Para alguns leitores mais ávidos, pode ser considerado pouco, mas lembrem-se de que eu sou uma leitora de cama, praticamente só leio nos momentos pré-sono. Vai daí, não me meto com maluqueiras de dizer que quero ler 30 ou 50 livros num ano, também não considero essa uma forma produtiva de se interagir com a literatura - ler só para atingir uma meta, um número, entenda-se. O ano passado quis ler 20 livros e fiquei-me nos 10. Este ano, consegui acabar os 20 e ainda faltam umas quantas semanas até ao final do ano. Estou contente.
Vai daí, apeteceu-me fazer um apanhado das minhas leituras. Não me quero alongar em grandes reviews porque, por norma, já as faço no Goodreads. Deixo-vos o link para o meu perfil de lá, onde podem ir cuscar os livros mais ao pormenor, poupando-me ao trabalho de lhes pôr um link de cada vez que os mencionar, por favor!… Vamos lá ver o que sai daqui.
desigualdade de género
Mais um ano de leituras, mais uma vez eu li muito mais mulheres do que homens. Contam-se pelos dedos de uma mão os livros que eu li de autores homens: três. E, se formos rigorosos, o livrete das Cartas de Platão nem deveria entrar bem nas contas… Portanto vai daí e li dois livros de homens.
Um deles, Klara e o Sol, foi facilmente a minha pior leitura do ano. Zero interesse, desculpem. Nada no livro me apelou e senti-me enganada pelo NOBEL DA LITERATURA que estava escrito na capa do livro. O outro, A Psicologia do Amor, li para me preparar para a nova fase da minha vida que (ainda?) não se concretizou. Este, ao menos, gostei de ler. Achei interessante conhecer os casos do Dr. Yalom e ver um pouco do que é um acompanhamento clínico de psicoterapia.
Será que 2025 me trará mais autores homens?!?!? Veremos.
onde os vou buscar?
Eu sei que os livros em Portugal são caríssimos, mas não me posso queixar de gastar muito dinheiro em livros, porque não o faço. A verdade é que dou muito uso ao meu cartão da biblioteca, não tenho pudor em comprar livros em segunda mão e tenho a sorte de ter amigos que me emprestam leituras. Assim, destes 20+ livros lidos posso dizer que:
Sete livros fui buscar à biblioteca:
Cartas na mesa
Klara e o Sol
Livre
A História Secreta
Lapvona
Uma Gaiola de Ouro
Por Trás dos Seus Olhos
Dois foram prendas de Natal/Aniversário
A Natureza da Mordida
A Vergonha
Dois foram empréstimos de uma amiga, e tenho uns a ler de momento que também são.
Eileen (que ela, por não ter gostado assim tanto, acabou por me dar)
I Who Have Never Known Men
Dois comprei em segunda mão:
A Psicologia do Amor
O Poço de Solidão
Cinco foram comprados novos este ano, entre a Feira do Livro e a Festa do Avante:
Just Kids
Casas Pardas
A Gorda
Ódio, Amizade, Namoro, Amor, Casamento
O Caderno Proibido
Três já tinha cá por casa:
Sei Porque Canta o Pássaro na Gaiola
Girl, Woman, Other
As Cartas de Platão
que calhamaço!
A partir de quantas páginas se considera que um livro é um calhamaço? 400? 500? Pois bem, não sei, mas sei que este ano li dois livros grandões e confesso que, estando sempre na ordem das 200-300 páginas, estava com saudades de pegar num calhamaço e nem sabia. Foram eles A História Secreta (544 páginas) e O Poço da Solidão (478 páginas).
Será que para o ano me aventuro noutros tijolos? Há que séculos que ando para ler O Senhor dos Anéis… 👀
felizmente voltei aqui
Sou uma ghoster. Assim que empanco na leitura e tudo me começa a enervar, eu largo o livro e sigo com a vida. Foi isso que aconteceu da primeira vez que tentei ler o Girl, Woman, Other (que, já agora, comprei igualmente em segunda mão há uns aninhos). O livro está escrito num certo formato e eu tenho alguma resistência a formas de escrever diferentonas. No entanto, fiquei sem nada que ler e, já preparada para o que iria encontrar, decidi recomeçá-lo do zero. Acabou por ser uma das minhas leituras cinco estrelas do ano. Fica a lição de humildade.
down memory lane
Como “perdida na vida” é um mood no qual me encontro com frequência, sinto que ler sobre as vidas dos outros pode ajudar, nem que seja para ler outros percursos, conhecer outras situações e outras realidades. Neste rol de leituras, abri espaço para os livros de memórias com Sei Porque Canta o Pássaro na Gaiola que, tecnicamente, ainda é uma leitura de 2023 que só terminei em Janeiro. Depois, li o Livre e, já no Verão, o Just Kids da Patti Smith, que inspirou toda uma Crónica. A Vergonha trata de um episódio familiar trágico da infância de Annie Ernaux. Não sei se se pode encaixar aqui, mas A Gorda, definitivamente, tem traços de auto-ficção. Descobri que gosto de ler memórias e auto-ficção, talvez por ser o que eu, a bem ou a mal, acabo por escrever sobre mim.
limpeza de palato
Gosto muito de livros introspectivos, um pouco mais para o densos, sobre as particularidades da vivência feminina. No entanto, às tantas uma pessoa cansa-se de tanta introspecção e de livros pesadões. É aqui que entram os meus livros de literatura light para limpar o palato. Por norma, Agatha Christie é a minha opção segura: os livros dela entretêm à brava, são bens escritos e facilmente encontro inúmeros na biblioteca. Este ano, fui buscar o Cartas na Mesa. Depois, eu ADORO um bom thriller, daqueles que nos agarram desde a primeira página e só conseguimos pensar nele o dia todo, até lhe voltar a pegar. Continuo eternamente à procura de alguém que me faça sentir como me sinto a ler Gillian Flynn, mas não está fácil. Trouxe da biblioteca A Gaiola de Ouro e o Por Trás dos Seus Olhos. Cumpriram, mas não impressionaram.
A excelência da escrita e da literatura
Em jeito de deixar o melhor para o fim, e apesar de eu até ser generosa a dar 5 estrelas, houve três livros que se destacaram. O que distinguiu estes livros dos outros, para mim, foi a escrita, a história que estava a ser desenrolada e o que fiquei a pensar neles depois de os terminar.
Há muito que queria ler o Casas Pardas, portanto comprei-o na Hora H da Feira do Livro. A Maria Velho da Costa é… brutal. Não tenho outra palavra. Casas Pardas não é um livro fácil de se ler, ou seja, e não querendo parecer snob no que vou dizer, é preciso conseguir perceber o que está a ser dito nas entrelinhas para a beleza do livro ser captada. Numa altura em que se anda a falar tanto de portugalidade, Maria Velho da Costa sabe como ninguém captar a essência de uma certa mulher portuguesa que, ainda que esteja a ficar para trás, continua presente nas nossas mães, tias, avós, vizinhas. Um verdadeiro retrato da sociedade portuguesa daquele tempo, do ponto de vista feminino e que atravessa diferentes estratos sociais. Imperdível e uma obra que facilmente aceitaria como objecto de estudo na escola.
Um dos empréstimos deste ano foi I Who Have Never Known Men e, meus amigos, que livro. Que arrombo de livro!!! Nem me quero alongar muito porque eu não fazia a mínima ideia do enredo quando o comecei a ler e penso que é melhor partir para este livro assim. É, definitivamente, uma das histórias mais originais que já li. Quase um livro de terror existencial, à sua maneira. Uma história sobre o que é ser-se humano, solidão e resignação. Emocionei-me quando cheguei a certas partes da narrativa. Lindíssimo e não sei como não é mais badalado.
Felizmente andamos numa leva de redescoberta de autoras femininas e Alba de Céspedes foi nessa onda. O Caderno Proibido foi aparecendo aqui e ali com muitas boas reviews e, por isso, mantive-o debaixo de olho. Acabei por comprá-lo e, finalmente, ler. Um livro lindíssimo sobre os desafios da maternidade de filhos já adultos, um casamento apagado, e o que é a identidade de uma mulher que se resignou a ser esposa e mãe. À semelhança do que acontece com Casas Pardas, este Caderno Proibido conta a história debaixo do clima de um determinado período de tempo, neste caso a Itália no pós-Segunda Guerra Mundial. Foi muito interessante notar algumas parecenças na cultura italiana e portuguesa, sobretudo no que diz respeito ao conservadorismo. Gostei muito de ler este livro e cheguei, inclusive, a dizer à minha mãe que o deveria ler. Acho que todas as mães o deveriam ler.
E pronto, fica aqui o apanhado. Ainda falta tempo até ao fim do ano, por isso ainda vou ter outras leituras até lá, mas decidi que me vou ficar pela literatura mais light. Veremos. Eu digo isto mas depois se a qualidade do livro não me satisfizer eu volto às minhas autoras tristonas… Portanto, como sei que tenho bons leitores a seguirem-me, se me quiserem recomendar uns livros light estejam à vontade, sobretudo se forem títulos mais fáceis de encontrar na biblioteca.
Boas leituras para vocês! 📚





Que leituras tão boas e que abordagem tão recomendável à literatura e forma de nos relacionarmos com os livros. Obrigada pela lembrança e inspiração.
Tenho o "Girl, Woman, Other" para ler há imenso tempo e ainda não lhe peguei. Mas li o "Mr. Loverman 2da autora e adorei. Fiquei com muita vontade de ler mais títulos da sua obra. Ah e estou a terminar "The Return of the King", último livro de Senhor dos Anéis. Recomendo! Mas é um belo investimento de tempo hehe
Não sei se conheces a Biblioteca da Sara mas fica a recomendação. É uma óptima opção para quem quer “alugar” livros mas está à procura de coisas mais recentes que às vezes são difíceis de encontrar em bibliotecas. Aqui fica: https://www.instagram.com/book.vorfreude?igsh=Nm80MG81c2RpbDBk