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Avatar de carolina novo

querida Rafaela. antes de mais, lamento que te estejas a sentir assim, e espero que entretanto, seja através do moodboard do Canva ou de outro entretenimento qualquer, te sintas um bocadinho melhor. depois, quero também partilhar que te entendo muito bem. e, aliado a isto, dizer que, enquanto alguém que faz terapia - com as suas pausas, trocas e períodos de interrupção pelo meio, claro - desde os seis anos, posso dizer-te que a nossa autodescoberta e cuidado mental são assuntos para sempre inacabados. e não digo isto para te desanimar, precisamente pelo contrário. as coisas melhoram, muito. mas haverá sempre mais. porque fazer terapia é sobre descobrir mais e mais camadas de nós, da vida e do que nos rodeia, e isso não termina num período definido. mas também importa dizer que se torna muito mais fácil, e que um dia a terapia já não será tanto sobre o que te faz sofrer mas sobre aplicar tudo o que aprendeste e ver os frutos a nascer. como alguém que foi diagnosticada em 2024 - sim, esse tempo todo depois - com depressão crónica, sei bem o que é a sensação de viver em loop e de nos vermos tantas vezes naquilo que parece o mesmo buraco de sempre. mas também como alguém que acha que, apesar disto tudo, está melhor do que nunca (com muita coisa para resolver, ainda, claro), digo-te que nunca é o mesmo buraco. estamos sempre num lugar diferente, mesmo que não pareça. grande parte das mudanças não são visíveis em tanto pouco tempo - principalmente, porque as grandes transformações começam sempre subterrâneas, dentro de nós, sem que tenhamos muita noção delas, até que um dia vêm à superfície e vemos com orgulho o enorme caminho que fizemos. sem dúvida que te vai acontecer o mesmo -- vais quebrar o loop sim ❤️

Avatar de Raquel Dias da Silva

Gostava de dizer que não me relacionei mas puseste em palavras muito do que tenho sentido nos últimos meses/1 ano. Adoro o que faço (o meu trabalho é escrever, como não adorar?), mas na prática tenho-me sentido cada vez mais afastada (é o salário de merda, as mudanças todas na redação, o já não poder escrever tanto sobre livros e teatro, o ter outros sonhos que cada vez mais gostava de realizar, como ter a minha própria livraria e/ou trabalhar no sector editorial…) Depois lembro-me que tenho uma filha e comida para pôr na mesa e começo a pensar que não é hora para pensar nisto, mas se não agora, quando?

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