Balanço semestral
Um apanhado do que foram estes seis meses.
Eis-nos, oficialmente, no segundo semestre de 2024. Encontram-se em que fase? São dos que sentem que passou muito rápido e daqui a nada parece que já é Natal, ou sentiram que estiveram de pés bem assentes na Terra e o tempo não vos apanhou desprevenidos? Confesso-vos que estou uma mistura dos dois. Acho fascinante já ter passado meio ano desde Janeiro, mas recuso-me a cair no fatalismo de achar que já estamos com um pé no próximo ano. Não estamos, calma. Ainda há muito por viver.
Ainda tenho de ir de férias e, de facto, pôr o corpinho ao sol e de molho. Ainda tenho o Agosto infinito e o aniversário da minha mãe. A Festa do Avante para a despedida do Verão. Planear a minha vida para o Outono/Inverno, tendo em conta coisas que ficaram pendentes. Ainda tenho a descobrir novas actividades desportivas. O regresso à costura. Muitos livrinhos por ler. Portanto, caaaalma.
Posto isto, vi o post da Sofia e foi a inspiração que faltava para escrever sobre o meio do ano. Uma espécie de check-up que vou tentar que não seja exaustivo. 2024 está a ser, definitivamente, um ano que me trocou as voltas. Tinha um Grande Plano que foi por água abaixo (por agora), mas lá me consegui reerguer. Não quero estar com grandes lições de moral, porque custa. Custa, foda-se. Custou-me muito passar por essa mudança de planos. Ao mesmo tempo, lá me consegui levantar e tenho outro olhar para a situação. Sinto que cresci, de alguma maneira. Não vos consigo explicar, mas sinto que existem duas versões de mim, uma do primeiro semestre e esta nova do segundo, nascida mais do sangue e das lágrimas do que propriamente do suor. Houve, igualmente, outras coisas que me ajudaram a encerrar, de vez, ciclos que ainda estavam entreabertos. Digamos que, no meio do caos, da pasmaceira da vida, de achar que continuo um tanto perdida, estou na fase mais feliz que já vivi dos últimos tempos. O que mostra o quão pouco feliz eu me sentia em geral…
Talvez aprofunde estes temas em textos futuros. Por agora queria, à semelhança da Sofia, deixar aqui um apanhado de coisinhas que gostei muito deste meio-ano. Vai ser uma lista muito aleatória ao sabor do que me for lembrando, com um ou outro apontamento.
Favoritos do 1.º Semestre de 2024
Começar este substack e escrever, escrever, escrever <3333
A vibe com que entrei em Janeiro, a recuperar de um coração partido auto-infligido e cheia de vontade de mudar coisas.
A série Carol & The End of The World.
Ter comprado a minha máquina de costura.
Ir cortar o cabelo a outro sítio e ter adorado o resultado.
Ver o Pata de Ganso, o solo do Pedro Teixeira da Mota, no Barreiro. E ter ficado muito bem impressionada com o Barreiro, deixando de lado o preconceito snob de almadense.
O livro A Natureza da Mordida, da Carla Madeira. Sou fã da Carla Madeira, não há nada a fazer.
A minha rotina de skincare minimalista que me acalmou a pele. Até as borbulhas pré-menstruais têm estado mais controladas.
Ter ido, pela primeira vez, ao São Carlos ver um bailado com os meus amigos. Nunca tinha entrado nesta sala emblemática e é lindíssima. É sempre divertido quando me sinto uma personagem de um romance do Eça de Queiroz.
A playlist hot girls listen to jazz.
Um conselho de escrita que li no substack - write from the scar, not the wound - que ando a testar, daí ainda não ter escrito coisas que me apetece escrever, para maturar antes de vomitar num texto sentimentos à flor da pele.
Manhãs de domingo passadas no sofá a ver o watch.tm.
A nova geração que está a descobrir o Sex and the City e me inunda o twitter de frames e vídeos da série, fazendo-me revê-la sem a rever.
A Feira do Livro que, este ano, me ajudou a sair do abismo em que me estava a afundar.
A série Insecure, de que falei aqui.
Os Falsos Lentos, com menção honrosa para os episódios do Euro, que foram a única coisa que me entusiasmou sobre essa competição.
Rever o Stealing Beauty.
Apagar uma conversa dos arquivos do WhatsApp.
A série Drops of God, que o Markl recomendou no Instagram. Nem sei como não cheguei a escrever sobre esta série por aqui, já que a ADOREI! É de um charme e de uma elegância como eu há muito não via em televisão. Um requinte para quem gosta de vinhos, interiores bem decorados, e línguas estrangeiras. Talvez volte a falar dela em breve. Curiosamente, é mais uma série Apple TV+.
O bolo de café do meu aniversário.
Aproveitar as manhãs de sábado (já que tenho de vir trabalhar) para escrever e montar grande parte da newsletter.
Ter visto o filme Uptown Girls pela primeira vez, que muito me encantou e emocionou. E, agora, uso a pequena Ray como foto de perfil, já que esta personagem me fez lembrar muito de mim.
Pronto, assim de favoritos foi o que me lembrei. Para dar mais realismo à coisa, não que vá deixar uma lista de derrotas do ano, mas antes de coisitas que deixei penduradas ou que ainda não comecei, coisas meh. A vida acontece.
Coisas meh ou ainda não começadas neste 1.º Semestre de 2024
Ainda não comecei o meu commonplace book.
Ao contrário do que tinha idealizado, não passei a andar com a máquina fotográfica para tirar fotos sem ser no telemóvel.
As gavetas e os baús do meu quarto estão cheios de tralha acumulada mas ainda não tive paciência para tratar disso.
Ainda não me fui informar sobre horários e preços para começar a fazer terapia.
Desconectei-me completamente do Yoga, mas Julho já é o último mês em que tenho de aulas.
Não costurei assim tanto e, por enquanto, os projectos ficaram na fase do rascunho.
Tenho escrito muito pouco só para mim, às vezes preciso mesmo de me forçar a escrever nem que seja só uma folha, para manter um registo do momento da vida em que estou. Isto não é necessariamente mau, já que a minha escrita privada serve muito para me auto-regular emocionalmente. Ou seja, se não estou a ter a necessidade de escrever nos meus cadernos e diários, é porque não tenho chatices na minha vida que me forcem a isso.
Tinha idealizado estar mais atenta a eventos culturais para ir mas não aconteceu.
Comecei o ano entusiasmada com a ideia de fazer snacks e lanchinhos saudáveis, mas foi ficando pelo caminho. A minha casa teve obras, então perdi a rotina de ir para a cozinha quando chegava do trabalho para fazer as panquecas de espelta, por exemplo. Oh, well…
Andei a marinar a hipótese de fazer um instagram à la literary it girl, para ter um espaço onde me expressar visualmente, mas é uma rede que me aborrece tanto, ao mesmo tempo que exige um esforço absoluto de fotografia, edição, vídeo…
A vida passa muito por levar porrada e ir tentando, no meio das merdas, arranjar forma de não nos deixarmos estar no fundo do poço. Não é fácil mas, neste momento, prefiro estar neste modo delulu de aproveitar o momento presente. Não tenho mesmo hipótese. Francamente, estava só cansada de me sentir miserável, num ciclo que se arrastava há muito tempo, após um ano de 2023 muito emocionalmente destrutivo, e que culminou em Maio passado quando recebi a nega de voltar a estudar. Nem tudo tem de ser um sinal, uma lição. Há merdas que acontecem e são só isso. Merdas. Azar. A um nível muito pessoal, sinto que, a retirar alguma conclusão daqui, por muito cliché pseudo-shanti e potencial revirar de olhos que isto seja, é a de que a felicidade está mesmo em mim. Óbvio que há outras coisas que ajudam. Queria poder ser independente, viver numa casa minha, ter brio profissional, um amor romântico nos moldes que acho que mereço. Mas não me posso torturar a mim mesma em busca destas coisas, tão fora do meu controlo. Tenho de fazer a omelete com os ovos que tenho à disposição. E aprender que, por vezes, mais vale ter calma e saborear a omelete simples, básica, mas que cumpre. Caramba, a omelete que até é boa. Em vez de estar sempre a ansiar por algo que não tenho, pois só quando tiver aquele ingrediente é que vai ser espetacular, e desgastar-me nessa caminhada, a sonhar com a compra da casa que não chega, o engate que corre mal, o plano de mudar de vida que acaba por te ser negado. Aprende a saborear a omelete que tens. Às vezes pode surpreender quando percebes que, afinal, há muita coisa boa no que tens agora.
nota da edição
A semana passada aconteceu uma coisa que me deixou muito contente. Terminei de ler o Just Kids e comentei o livro no twitter, voltando a partilhar o link para o meu texto. E não é que houve mesmo muita gente que veio aqui parar? Obrigada aos novos subscritores e espero que se divirtam a ler estas minhas crónicas tal como eu me divirto a escrevê-las! 🥹🫶
Aproveito para avisar que, como vou de férias no fim do mês, a newsletter não vai parar, mas posso optar por escrever uns textos mais levianos. Tenho de ter algumas coisas adiantadas porque os dias vão ser corridos e não vou ter a minha manhã de sábado no trabalho para escrever (oooh, que pena 🤪). Se quem chegou de novo quiser ler coisas mais densas, aproveitem para explorar o meu arquivo e põem-se a par aqui do lore.
Agradeço do fundo do coração aos meus subscritores. Ainda há pouco tempo terminei um texto a dizer isso mesmo, e agora já me estou a repetir porque chegou mais gente. Obrigada! E se achas que alguém que conheces também poderá de gostar de me ler, podes partilhar. É grátis!






